ARGUMENTO

Novo Argumento


01.04.2022




Número 172
Abril 2022, 28 págs.
Pier Paolo Pasolini sempre!

Índice de artigos
︎EM DIRECÇÃO OBSTINADA E CONTRÁRIA
Visita guiada pela obra de Pasolini, com Giuseppe Balsamo
︎ EIS AQUI UM GRANDE CICLO
Pasolini no Cine Clube em 1985, com Joaquim Alexandre Rodrigues e José Fernandes
︎︎︎ Ler aqui.
︎TEOREMA
Anabela Moutinho prolonga o eco do filme “mais surpreendente e enigmático” de Pasolini
︎KARTAS TELEPÁTYKAS

A entrevista possível de Eduardo Ego a Edgar Pêra (spoiler alert!)
︎FILMES SÃO COMO BEIJOS
Novo ensaio para o dossier “Cinema, Pós-verdade e Bolhas”, por Aarón Rodríguez
︎A DIVINIZAÇÃO DO DESEJO
No Observatório de Andrea Celestino

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EDITORIAL
Este Argumento de halo pasoliniano, por acaso, faz pensar no que é um cineclube. Aqui no nosso, até aqueles que ainda não andavam cá em ’85 guardam o flyer do ciclo Pasolini organizado em Novembro daquele ano, com duas sessões semanais no auditório do Museu Almeida Moreira. Desde que se entra aqui, sobretudo quando não se sabe ao que se vem, há um certo número de imagens e sons que vão começando a invadir, depois a visitar, depois a frequentar a mente. E muitas vezes vêm sem o peso dos adjectivos ou das entoações, e por isso demoram a transformar-se em ideias, são anti-platónicos: realidades, manifestações, exemplos que só existem à nossa frente, enquanto formas. São coisas que reconhecemos e só depois conhecemos, talvez. Habituamo-nos a elas antes de formarmos opinião sobre elas, que é a ordem cada vez menos habitual de fazer as coisas, e outro dos méritos destes espaços e destas comunidades. 

Pasolini é uma dessas coisas: um nome, um rosto, títulos que habitam o nosso imaginário ainda antes de pararmos para olhar para eles. Neste número 172, que singela e naturalmente assinala o centenário do intelectual italiano, abordamos a sua obra cinematográfica sob várias perspectivas: uma mais geral, no texto de Giuseppe Balsamo, um travelling sobre o conjunto do cinema pasoliniano; outra mais aproximada, Na Retina de Anabela Moutinho, que escolheu o Teorema para meditar; e ainda a partir das suas repercussões culturais e artísticas, desde a entrevista ao Alex e ao Zé Fernandes, dirigentes do Cine Clube que, em ’85, organizaram o tal ciclo em Viseu, à obra de Andrea Celestino, no Observatório, um eco longínquo, uma ponte imaginária assente na concepção do corpo como veículo do desejo (“O corpo: eis uma terra ainda não colonizada pelo poder”).

Mas, antes de cineasta, Pier Paolo Pasolini era escritor, poeta. E foi outras mil coisas, participando activamente na vida política e cultural italiana. E, além disso tudo, ou por causa disso tudo, ou por trás de tudo isso, há um conjunto de valores, uma atitude, uma forma de existir que o seu nome evoca, e esses são também, e antes de mais nada, motivos para o termos sempre à mão (ou na ponta da língua).

“Sempre pensei, como qualquer pessoa normal, que dentro de quem escreve deve haver necessidade de escrever, liberdade, autenticidade, risco. Pensar que pode haver algo de social e de oficial que “fixe” a respeitabilidade de alguém é um pensamento deveras aberrante, devido evidentemente à deformação de quem já não sabe conceber a verdade fora da autoridade.”

Porque nos é tão difícil ouvir estas palavras e não pensar em nós mesmos, naquilo que nos define e alimenta, contamos Pasolini entre as nossas referências, os retratos nas nossas paredes. Estar aqui apesar de tudo é um acto de atrevimento e afecto, como florir no Inverno.

Por falar nisso, continuamos a publicar os resultados da nossa convocatória sobre cinema, pós-verdade e bolhas, desta vez, um ensaio de Aarón Rodríguez, para não nos esquecermos de questionar, para continuarmos aquela reflexão, começada em Dezembro, e podermos sentir os seus efeitos, saborear os seus frutos, prolongadamente.

P.S.: A fotografia da Anabela Moutinho, na página ao lado [página 2, no painel de colaboradores da edição], foi tirada numa sessão do Cine Clube em que esteve também Jorge Silva Melo, a apresentar Mónica e o Desejo. É para ele que ela estava a olhar, e por isso ele está também nestas páginas.


Cinema, Pós-verdade & Bolhas


Foram meses intensos de convocatória aberta, a reunir textos e vídeo-ensaios de Portugal e Espanha: “Cinema, Pós-verdade & Bolhas” foi o mote da call 2021 do ARGUMENTO, realizada em parceria com a Transit: Cine y otros desvíos. Os trabalhos seleccionados começam a ser partilhados no ARGUMENTO #171, e são editados pela revista do Cine Clube de Viseu e nos sites do CCV e da Transit.

DISPONÍVEIS AQUI


ARQUIVO
Na edição 169 falámos com
Ana Eliseu!


A outra dimensão da conversa com Tommi Musturi (edição 167)...

Na edição 166 falámos com Dartagnan Zavalla!

 


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