ARGUMENTO

Novo Argumento


23.11.2023




Número 177
Dezembro 2023, 36 págs.

Índice de artigos
︎NANNI MORETTI E VÍCTOR ERICE
Os novos filmes dos dois mestres motivam O Tosco e o Sublime, ensaio de Carles Matamoros
︎NÃO SOU NADA — THE NOTHINGNESS CLUB
Edgar Pêra autoriza uma espreitadela aos Kadernos do Nada, que guiaram o processo criativo do seu último filme
︎24 FRAMES / PETITE MAMAN
Filmes de Abbas Kiarostami e Céline Sciamma na retina de Arnau Martín
︎UM FILME NUNCA VEM SÓ
Rita Palma debruça-se sobre sequelas, recorrências e repetições no Cinema Português
︎DEAMBULAÇÕES
Segundo capítulo do Diario de Cine do escritor e professor catalão Carlos Losilla
︎OBSERVATÓRIO
Ângela Romanito apresenta-nos o “seu” Drive My Car, criado este ano para a iniciativa Cinema Ilustrado
︎E ainda...
O Bilhete-Postal do Tromsø Filmklubb (Tromsø, Noruega) e Livros do Trimestre!

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EDITORIAL

“Fazer cinema é inventar recursos para ver o mundo”

— Lucrecia Martel


De 1955 a 2023, o Cine Clube de Viseu atravessou fases distintas na sua existência. Desenvolveu acção cultural em épocas difíceis para o país e de marasmo cultural na cidade, exibiu cinema quando não havia quaisquer salas em Viseu, e apresenta uma programação independente e multifacetada nos anos em que a cidade tem várias salas. Num ano como 2023, o CCV organizou 8 ciclos temáticos de cinema, totalizando 75 sessões, algumas delas com a presença de cineastas e convidados. Ao longo de 2023, continuou a actividade editorial, com a publicação do ARGUMENTO, e a aposta na promoção da produção audiovisual regional, no vistacurta, que também trouxe cine-concertos e competição nacional de curtas. E, em actividade pelo 23.º ano, o projecto Cinema para as Escolas, com workshops, realizando curtas-metragens em contextos educativos, ateliers de cinema de animação, sessões de cinema, desde o pré-escolar ao ensino superior.

Por estas razões e pela consistente adesão de público, esta actividade parece cada vez mais necessária (nem imaginamos um ano sem vermos filmes do Médio Oriente, do Oriente, ou da América Latina). As 75 sessões de cinema de 2023 foram uma boa oportunidade de ver e conhecer cinema: de contrariar tendências simplistas de ver não importa o quê, de questionar a imagem e a reprodução que faz do real, de perceber o cinema enquanto arte com uma linguagem e estilo próprios.

Para manter esta reserva de cinema independente, que esperamos capaz de sacudir lugares comuns e de agir como caleidoscópio cultural capaz de provocar dinâmicas, o CCV conta com todos os associados e amigos. À semelhança do contexto europeu, a existência do cinema de qualidade e de autor, de planos de acção para a sensibilização de públicos para o cinema e a imagem, dependem em grande medida do apoio vindo do público, do seu compromisso e mobilização.

Garantir a variedade de oferta e o respeito pelo público é uma condição fundamental em pleno século XXI e um factor de desenvolvimento social e cultural da cidade. No presente, o caminho a percorrer pelo Cine Clube de Viseu não deve ser considerado alternativo. Esta actividade regular e de objectivos bem definidos depende da relação entre a sociedade e o CCV, e por isso é nosso objectivo que as formas de contribuição e benefícios sejam claros e mobilizadores, capazes de garantir uma sólida e duradoura relação.

Falando sobre esse lugar inestimável que os cineclubes continuam a ter no panorama da programação e exibição de cinema, Henrique Espírito Santo lembrava em 2013, nestas páginas, que os cineclubes foram em Portugal o movimento cultural de massas mais importante do tempo do fascismo. Preparar 2024 no Cine Clube de Viseu é, por isso, celebrar essa sempre renovada potência de projectar um outro mundo, de iluminar a liberdade que nasce de e com uma imagem projectada, a cumplicidade entre o mostrar e ver, essa promessa de alteridade. Neste próximo ano, a celebração dos 50 anos do 25 de Abril, data de enorme significado para o país e para os cineclubes, permite-nos um olhar distanciado e crítico sobre o trabalho que temos vindo a desenvolver, mas também a oportunidade de renovar e sublinhar o espírito da revolução, da liberdade, da partilha, da conversa, do cuidado com o comum, e das exigências estéticas e políticas.

É neste espírito que vemos a oportunidade de ter o aniversário do 25 de Abril a inspirar um programa cinéfilo e cultural. Que pode passar, se a ideia for do agrado do nosso associado e amigo, por um ciclo de cinema imaginado e apresentado por cineastas, cineclubistas e público. Um ciclo que procura esses sinais e geografias da revolução, que irrompe da sala escura a outros locais, provocando a história, a memória e actualiza a conversa. Também conversas/conferências fílmicas que convocam novos públicos e públicos habituais. E, mesmo, textos especiais no ARGUMENTO. Relembrando e insistindo que a revolução se celebra todos os anos, também no interior do país, também por projectos associativos. Que o Cine Clube de Viseu, estrutura sem finalidade lucrativa, garante uma oferta cinematográfica independente e diversificada em Viseu, divulgando cinematografias menos vistas, dos novos autores ao cinema clássico. Que graças a estes esforços os filmes não se perdem. Podem estar escondidos mas serão resgatados assim que aparecer o momento certo. E há múltiplas formas de os resgatar, e de levar o público a vê-los. Conquistando, quem sabe, novos públicos para a cultura. É exactamente isso que o 25 de Abril merece.
CINEKOSMOS

Kadernos do Nada
pelo Sr. Ego


Edgar Pêra autoriza uma espreitadela aos cadernos que guiaram
o processo criativo do seu último filme, Não Sou Nada/The Nothingness Club.


Textos de Fernando Pessoa, fotografias de Ana Soares



ARQUIVO
Entrevista à artista visual Ângela Romanito (edição 177)
Entrevista à música e artista visual Joana de Sá (edição 176)
Na edição 175 falámos com o ilustrador Mantraste!
Entrevista a Neil Gaiman por Edgar Pêra (para a série Cinecomix!!!)
Viseu, 1985, o primeiro ciclo dedicado a Pier Paolo Pasolini
Entrevista a Margarita Ledo, realizadora galega de Nación
Na edição 169 falámos com
Ana Eliseu!

A outra dimensão da conversa com Tommi Musturi (edição 167)...

Na edição 166 falámos com Dartagnan Zavalla!


 


O Cine Clube de Viseu oferece a todos a oportunidade de experienciar, descobrir e aprender mais sobre o mundo do cinema, audiovisual e cultura visual.
︎ Terça a sexta, das 9h30 às 13h00 
︎ Rua Escura 62, Apartado 2102, 3500-130 Viseu
︎ (+351) 232 432 760 
︎ geral@cineclubeviseu.pt