ARGUMENTO
Novo Argumento
18.02.2026
Número 184
Fevereiro 2026, 36 págs.
A nova edição do ARGUMENTO: ensaios sobre a produção cinematográfica de distintas épocas da história, com toda a pertinência e actualidade, e analisando o presente do cinema e cineclubismo, com Carlos Losilla, Cineclub Imagen Viajera e um testemunho em imagens pelo próprio Cine Clube de Viseu, em benefício de uma retrospectiva histórica. Na esteira de Elia Kazan e Radu Jude, Edgar Pêra e José Álvaro Morais, Masaaki Yuasa pela ilustradora Mariana Sou, um número para espíritos insubmissos em tempos incertos. 📘
Fevereiro 2026, 36 págs.
A nova edição do ARGUMENTO: ensaios sobre a produção cinematográfica de distintas épocas da história, com toda a pertinência e actualidade, e analisando o presente do cinema e cineclubismo, com Carlos Losilla, Cineclub Imagen Viajera e um testemunho em imagens pelo próprio Cine Clube de Viseu, em benefício de uma retrospectiva histórica. Na esteira de Elia Kazan e Radu Jude, Edgar Pêra e José Álvaro Morais, Masaaki Yuasa pela ilustradora Mariana Sou, um número para espíritos insubmissos em tempos incertos. 📘
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Os nossos caros leitores podem apoiar o projecto, divulgando ou propondo a assinatura a um amigo. 5 edições = 15 euros.
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ÍNDICE DE ARTIGOS
︎AMÉRICA, AMÉRICA Luzes e sombras sobre um dos grandes realizadores de todos os tempos, Elia Kazan, por Margarida Assis.
︎KONTINENTAL '25 Gonçalo Malaquias sobre o novo filme do realizador romeno Radu Jude.
︎JOSÉ ÁLVARO MORAIS A propósito de Zéfiro, Maria João Madeira recorda um protagonista breve [do cinema português], tão especial como discreto e gentil.
︎70 ANOS DE CINE CLUBE O CCV acaba de comemorar sete décadas. Uma galeria de fotografias de convidados, numa reveladora perspectiva histórica.
︎KONTINENTAL '25 Gonçalo Malaquias sobre o novo filme do realizador romeno Radu Jude.
︎JOSÉ ÁLVARO MORAIS A propósito de Zéfiro, Maria João Madeira recorda um protagonista breve [do cinema português], tão especial como discreto e gentil.
︎70 ANOS DE CINE CLUBE O CCV acaba de comemorar sete décadas. Uma galeria de fotografias de convidados, numa reveladora perspectiva histórica.
︎EDGAR PÊRA escreve-nos sobre Terence McKenna e a inscrição cinematográfica do Manual de Evasão LX94 na sua obra.
︎DEAMBULAÇÕES Oitavo capítulo do Diario de Cine do escritor e professor catalão Carlos Losilla.
︎OBSERVATÓRIO A estreia de Mariana Sou nestas páginas! Com o “seu” Night is Short, Walk on Girl, criação original deste ano.
︎E ainda... Um Filósofo vai ao Cinema, Livros do Trimestre e Bilhete-Postal do Cineclub Imagen Viajera (Bogotá, Colômbia).
︎DEAMBULAÇÕES Oitavo capítulo do Diario de Cine do escritor e professor catalão Carlos Losilla.
︎OBSERVATÓRIO A estreia de Mariana Sou nestas páginas! Com o “seu” Night is Short, Walk on Girl, criação original deste ano.
︎E ainda... Um Filósofo vai ao Cinema, Livros do Trimestre e Bilhete-Postal do Cineclub Imagen Viajera (Bogotá, Colômbia).
EDITORIAL
Não é para dar nenhum raspanete — até porque sabemos que os leitores do ARGUMENTO têm maneiras, e, sobretudo, juízo. É, antes pelo contrário, para nos compadecermos, e para amaldiçoarmos conjuntamente — que é uma das grandes satisfações da vida. Numa dessas sessões mais concorridas, corre também a notícia, fez-se sentir a ominosa presença que com sua funesta luz rasga a escuridão plácida, a bonançosa treva, o esplêndido negrume a que assomara incauto — e bem — o cineclubista, o espectador esclarecido — ou, no caso, antes fosse escurecido.
Não o preconizamos, mas tão-pouco nos oporíamos a que este levasse um par de peúgas velhas embrulhadas em bolinha no bolso para atirar à cabeça do energúmeno que vilãmente daquela forma esburaca e mesmo estupra não só a integridade e o sentido de uma experiência, sagrada ou não, mas também o conforto e a segurança de baluarte daquele espaço em que nos encontramos tanto para entender o mundo quanto para escapar dele.
Como pode alguém ousar impor-se assim nas memórias daqueles com quem poderia, ao invés, docemente partilhar uma? Como se atreve, néscio, a suspender dos outros a suspensão não se tratando de morte? É para nós tão incompreensível e aviltante quanto para o nosso querido leitor.
Lembremos que, com o encerramento das salas do Fórum, a cidade deixou de ter cinema no centro, pela primeira vez em mais de século e um quarto. Atendendo a que o Cine Clube tem existido na crescentemente maior parte desse tempo — e com o proveito que está à vista — sem que nunca lhe tenha sido não tanto oferecida quanto solicitada, rogada a dinamização de uma sala própria, Viseu consuma assim a sua improcrastinável decadência — para usar a feliz expressão infeliz de Antero de Quental (aplicada por ele a todo o país). O que diz este vazio da grande capital da Beira Alta? Linda cidade-museu. Esperemos que haja ainda sangue que lhe instile as vítreas veias.
Mas pergunta o querido leitor: então e aquela alminha ia mexer no telemóvel para o Fórum? Só Deus sabe. Antes, porém, de desferir o golpe fatal, lembremo-nos que é de nossa índole e nosso desígnio ter as portas bem abertas, chamar todos a que venham, e acolhê-los com bonomia, porque o cinema não olha a quase nada, antes ensina a olhar. O cinema pede só verdade e ajuda quem lhe perdeu o rasto a talvez o encontrar.
Não é para dar nenhum raspanete — até porque sabemos que os leitores do ARGUMENTO têm maneiras, e, sobretudo, juízo. É, antes pelo contrário, para nos compadecermos, e para amaldiçoarmos conjuntamente — que é uma das grandes satisfações da vida. Numa dessas sessões mais concorridas, corre também a notícia, fez-se sentir a ominosa presença que com sua funesta luz rasga a escuridão plácida, a bonançosa treva, o esplêndido negrume a que assomara incauto — e bem — o cineclubista, o espectador esclarecido — ou, no caso, antes fosse escurecido.
Não o preconizamos, mas tão-pouco nos oporíamos a que este levasse um par de peúgas velhas embrulhadas em bolinha no bolso para atirar à cabeça do energúmeno que vilãmente daquela forma esburaca e mesmo estupra não só a integridade e o sentido de uma experiência, sagrada ou não, mas também o conforto e a segurança de baluarte daquele espaço em que nos encontramos tanto para entender o mundo quanto para escapar dele.
Como pode alguém ousar impor-se assim nas memórias daqueles com quem poderia, ao invés, docemente partilhar uma? Como se atreve, néscio, a suspender dos outros a suspensão não se tratando de morte? É para nós tão incompreensível e aviltante quanto para o nosso querido leitor.
Lembremos que, com o encerramento das salas do Fórum, a cidade deixou de ter cinema no centro, pela primeira vez em mais de século e um quarto. Atendendo a que o Cine Clube tem existido na crescentemente maior parte desse tempo — e com o proveito que está à vista — sem que nunca lhe tenha sido não tanto oferecida quanto solicitada, rogada a dinamização de uma sala própria, Viseu consuma assim a sua improcrastinável decadência — para usar a feliz expressão infeliz de Antero de Quental (aplicada por ele a todo o país). O que diz este vazio da grande capital da Beira Alta? Linda cidade-museu. Esperemos que haja ainda sangue que lhe instile as vítreas veias.
Mas pergunta o querido leitor: então e aquela alminha ia mexer no telemóvel para o Fórum? Só Deus sabe. Antes, porém, de desferir o golpe fatal, lembremo-nos que é de nossa índole e nosso desígnio ter as portas bem abertas, chamar todos a que venham, e acolhê-los com bonomia, porque o cinema não olha a quase nada, antes ensina a olhar. O cinema pede só verdade e ajuda quem lhe perdeu o rasto a talvez o encontrar.
Até já:
2026 foi o ano em que morreu Canijo, um amigo do Cine Clube de Viseu. De filme em filme, reflectiu sobre um país que já não é de brandos costumes, se é que alguma vez o foi verdadeiramente. A primeira sessão com João Canijo, por cá, foi em 2011. No menu, a sua Fantasia Lusitana. Falando das razões que o levaram a fazer o filme, revelou: “pensei neste filme quando vi o programa de história que a escola do meu filho dá. E mostrei-lhe outra versão da nossa história.” (Era simples: tinha sempre uma forma desassombrada de falar dos seus filmes.) A mais recente vinda ao Cine Clube data de 2018, para uma aula de cinema e para apresentar Diário das Beiras, co-realização de Anabela Moreira e Canijo. Que se há-de dizer, então? Que os seus filmes continuam entre nós, como um aceno tão humano que lembra a vida dos seus personagens, que nos deve encher de orgulho pela ironia e liberdade que podemos ver neles. E pela exigência e intransigência, como Pedro Borges, o seu produtor, disse ao Público. Nada mais verdadeiro. Pode ser que toda a classificação seja um arbítrio, mas a intuição e o trabalho apaixonado de João Canijo foram das melhores coisas que aconteceram no cinema português nos últimos anos.

João Canijo: um realizador nunca tem emenda, claro.
Imagem de Fantasia Lusitana (2010)
Imagem de Fantasia Lusitana (2010)
DOIS ENSAIOS À VOSSA ESPERA
Estreou recentemente em Portugal o filme Kontinental '25, de Radu Jude, realizador romeno também conhecido por Não Esperes Demasiado do Fim do Mundo, comédia negra de 2023. Gonçalo Malaquias conta a sua visão mas também as teias históricas que se tecem – com Rosselini, Antonioni ou Chaplin a virem à tona. O que salta ainda à vista, nestas páginas, num texto esmerado de Margarida Assis, é o olhar sobre o célebre Elia Kazan, que nos leva a navegar por esse oceano dos anos 1960, ou por uma parte dele.
Estreou recentemente em Portugal o filme Kontinental '25, de Radu Jude, realizador romeno também conhecido por Não Esperes Demasiado do Fim do Mundo, comédia negra de 2023. Gonçalo Malaquias conta a sua visão mas também as teias históricas que se tecem – com Rosselini, Antonioni ou Chaplin a virem à tona. O que salta ainda à vista, nestas páginas, num texto esmerado de Margarida Assis, é o olhar sobre o célebre Elia Kazan, que nos leva a navegar por esse oceano dos anos 1960, ou por uma parte dele.

OBSERVATÓRIO
Quando nos cruzámos com o trabalho de Mariana Sou, ilustradora e designer residente em Leiria, vimos a oportunidade perfeita para cumprir a missão destas páginas do Argumento. Night is Short é a ilustração de estreia de Mariana Sou nestas páginas, e retrata o fascínio que exerce todo o universo de Masaaki Yuasa, visionário realizador japonês. Felizmente, este é só o primeiro trabalho seu por aqui: em 2026, o espaço Observatório tem a sua assinatura.
Quando nos cruzámos com o trabalho de Mariana Sou, ilustradora e designer residente em Leiria, vimos a oportunidade perfeita para cumprir a missão destas páginas do Argumento. Night is Short é a ilustração de estreia de Mariana Sou nestas páginas, e retrata o fascínio que exerce todo o universo de Masaaki Yuasa, visionário realizador japonês. Felizmente, este é só o primeiro trabalho seu por aqui: em 2026, o espaço Observatório tem a sua assinatura.

JOSÉ ÁLVARO MORAIS
José Álvaro Morais emerge como realizador no último quartel do século XX. Da sua obra breve ficam imagens duradouras, consideradas por muitos um dos segredos mais bem guardados do cinema português. Pelas palavras sempre límpidas e perspicazes de Maria João Madeira, um texto em busca das raízes antigas e ecos contemporâneos na visão cinematográfica de Álvaro Morais.
José Álvaro Morais emerge como realizador no último quartel do século XX. Da sua obra breve ficam imagens duradouras, consideradas por muitos um dos segredos mais bem guardados do cinema português. Pelas palavras sempre límpidas e perspicazes de Maria João Madeira, um texto em busca das raízes antigas e ecos contemporâneos na visão cinematográfica de Álvaro Morais.

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