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	<title>Cine Clube de Viseu</title>
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		<title>Intro 2026-07 CNC</title>
				
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		<pubDate>Sun, 21 Jun 2026 16:02:47 +0000</pubDate>

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	︎
Solar doVinho do Dão
	

︎
Museu Nacional Grão Vasco
	︎Faíl
Logradouro N2

	︎Solar do Vinho do Dão
MUSEU NACIONAL GRÃO VASCOFaíl • Logradouro N2

	


Cinema ao ar livre sob o céu de Viseu!
Entrada livreSessões às 21h30

Ilustração de DELFIM RUAS












	

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		<title>Cinema na Cidade</title>
				
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		<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 11:24:26 +0000</pubDate>

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		<title>Novo Argumento</title>
				
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		<pubDate>Mon, 15 Jun 2026 17:08:38 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Cine Clube de Viseu</dc:creator>

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ARGUMENTO
Novo Argumento
29.06.2026



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DISPONÍVEL NA LOJA CCV

	Número 185Junho 2026, 40&#38;nbsp;págs.
Há companheiros de leitura que merecem espaço na mala. Um número novo do Argumento, já na sua edição 185, a falar-nos sobre cinema português, cineclubismo, livros e ilustração, merece com certeza um lugar especial. 📚
Com a assinatura de alguns dos nossos autores preferidos, Anabela Moutinho, Edgar Pêra, Rita Palma, Fausto Cruchinho, Carlos Losilla, David Santos e Mariana Sou, uma edição com cuidadas reflexões, ensaios e crónicas com olhos postos no cinema do passado e dos nossos dias. Assim acontece nas 40 páginas do n.º 185 — Junho 2026. 📔

Falha na impressão. 

Na anterior edição (#184), as páginas referentes a convidados das sessões do Cine Clube saíram com as 
fotografias imperceptíveis. Pedimos desculpa aos convidados, cujas 
fotografias são re-publicadas neste novo ARGUMENTO #185, repondo a sua imagem mais condizente.

 




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ASSINAR O ARGUMENTO
Os nossos caros leitores podem apoiar o projecto, divulgando ou propondo a assinatura a um amigo. 5 edições = 15 euros.
 📚 Assinaturas disponíveis aqui📖 Boas leituras!





&#60;img style="width:100%" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/ccv-separador.svg"&#62;


	
	
ÍNDICE DE ARTIGOS
	



	







︎AVENTURAS PORTUGUESAS NO SÉCULO XVI Dois filmes históricos em diálogo: Camões de Leitão de Barros e Non de Manoel de Oliveira, por Fausto Cruchinho.


︎SUSANA DE SOUSA DIAS Um percurso no cinema que é também uma missão ético-política, Na Retina de Anabela Moutinho.
︎REALIZADORES DE UM FILME SÓ Uma distinta categoria pelo olhar de Rita Palma: realizadores de um filme só. Serão mais propensos ao esquecimento ou valorizados pela sua singularidade?

︎70 ANOS CINECLUBE DE FARO Uma perspectiva histórica no aniversário de um dos mais antigos cineclubes de Portugal.


	







︎MANIFESTO NEUROPUNK Slogans de um fazer cinema que Edgar Pêra resgata de 1990 para o novo filme.&#38;nbsp;
︎DEAMBULAÇÕES Nono capítulo do Diario de Cine do escritor e professor catalão Carlos Losilla.
︎OBSERVATÓRIO De volta ao cinema de animação japonês, Mariana Sou (responsável pela rubrica em 2026) apresenta-nos a sua versão de O Castelo Andante do mestre Miyazaki.︎E ainda... Um Filósofo vai ao Cinema,&#38;nbsp;Livros do Trimestre e reimpressão da Galeria 70 Anos do Cine Clube de Viseu.


&#60;img style="width:100%" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/ccv-separador.svg"&#62;
	EDITORIAL



Saiu-nos bem português, este número. Com franqueza, não foi de propósito. Não apetece falar de Portugal. Ao leitor apetece? Claro que não! Mas não se preocupe, que temos aqui quem fale por nós.Quer dizer, não se preocupe, que Portugal é como quem diz… Começa logo nestas palavrinhas, em todas as palavrinhas que aqui vê, incluindo – ou especialmente – as que vêm de fora; começa logo, aliás, no facto de esta revista que tem nas mãos ser tão magrinha, tão desafectada. (Não se engane, leitor; não é só o velho orgulho cineclubista, o nosso gosto sóbrio, a nossa aversão à vanglória e à fatuidade, é também, efectivamente, muita falta de dinheiro, a miséria.) Isto é, vendo bem, de Portugal não escapamos nem quando dedicamos números a Tarkovski, a Bergman, a Pasolini… Falamos de Portugal mesmo quando, máxime quando não falamos de Portugal. Está claro, pois, que a presença do cinema português em nada aumenta a portuguesidade. De modo que recomeçamos:
Saiu-nos bem, este número. E o esmero que pusemos nele dedicamos ao nosso confrade Cineclube de Faro, que, pelo seu septuagésimo aniversário, em vez de receber, nos enviou um Bilhete-Postal. Nós por cá somos assim, não é? O prazer está no dar. Mas, já agora – e longe de nós querer falar de Portugal – o que seria deste país sem os cineclubes? Moléstia à parte. “prontos para mais, e mais 70” – oxalá! Com o panorama das salas a desaparecer por todo o país, os filmes por ver, propósito não falta, e urge a firmeza.
E por falar em propósito e firmeza – e por falar em Cineclube de Faro – Anabela Moutinho, no mesmo espírito que celebra dando, do seu Cineclube, ofereceu-nos uma entrevista definitiva (que, pela vossa rica saúde, hão-de ir ao nosso site ler) a Susana de Sousa Dias, e, a partir dela, o fruto depuradíssimo da sua Retina, aqui nestas páginas, focada em quatro (ou três?) filmes da realizadora, como peças-chave do seu projecto de “resistência ao esquecimento”.O esquecimento, essa bênção maldita: é como mandar tudo para o Inferno e desistir, a sua versão passiva. Por que é que continuamos a fazer as coisas que fazemos? Os trabalhos sisíficos, os labores infinitos cujos prazeres são amiúde eivados de desgosto? Por um horizonte, sequer? Na entrevista acima referida fala-se de utopia como “real possibilidade”, da “potência de um povo lutar contra o seu provável destino” – talvez seja essa a razão pela qual não paramos. Arte, já temos que chegasse para mais um milénio. Mas ainda não chegámos a Youkali. Isso, que nos alimenta, “c’est un rêve, une folie”.Eterna saudade de seus filhos e netos.




	






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	&#60;img width="1500" height="753" width_o="1500" height_o="753" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/3f1bfd8e31cfb076284e2ef8722f08c76a89954758e7c622493d64d04e8de3c2/JCM-ilustraedit.jpg" data-mid="249677209" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/3f1bfd8e31cfb076284e2ef8722f08c76a89954758e7c622493d64d04e8de3c2/JCM-ilustraedit.jpg" /&#62;

João César Monteiro



	

&#60;img style="width:100%" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/ccv-separador.svg"&#62;



	TEMOS OS ENSAIOS CERTOS
Fausto Cruchinho volta a enquadrar o Cinema Português, desta vez com foco nas narrativas dos “Descobrimentos”: Camões (1946) de Leitão de Barros e Non ou a Vã Glória de Mandar (2001) de Manoel de Oliveira.




	&#60;img width="1000" height="682" width_o="1000" height_o="682" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/dcc06cfe5982aa4f478267411a37e0bfff790bbe523fd79bbbedfd7a8baf83e1/arg185-interior2-site.png" data-mid="249677216" border="0" data-scale="80" src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/dcc06cfe5982aa4f478267411a37e0bfff790bbe523fd79bbbedfd7a8baf83e1/arg185-interior2-site.png" /&#62;



	

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E o que dizer dos Realizadores de um Filme Só? O que os motivou a entrar e abandonar o cinema? No novo ensaio de  Rita Palma, são escrutinados os filmes de José Cottinelli Telmo (A Canção de Lisboa, 1933), Ernesto de Sousa (Dom Roberto, 1962), Ana Luísa Guimarães (Nuvem, 1991), Paulo Rebelo (Efeitos Secundários, 2011) e Manuela Serra (O Movimento das Coisas, 1985).



	

OBSERVATÓRIO  Quando nos cruzámos com o trabalho de Mariana Sou, ilustradora e designer residente em Leiria, vimos a oportunidade perfeita para cumprir a missão destas páginas do ARGUMENTO. O Castelo Andante é a sua nova ilustração para estas páginas, e retrata o fascínio que exerce todo o universo de Hayao Miyazaki, visionário realizador japonês. Fiquem atentos: em 2026, o espaço Observatório continuará a ter a assinatura de Mariana Sou.


	&#60;img width="800" height="1048" width_o="800" height_o="1048" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/98f9c1c6da83278201b451e020cbb423c2098476f788c59cad01d2ff782a97eb/ARG185-Verso800.png" data-mid="249677210" border="0" data-scale="66" src="https://freight.cargo.site/w/800/i/98f9c1c6da83278201b451e020cbb423c2098476f788c59cad01d2ff782a97eb/ARG185-Verso800.png" /&#62;




	

ENTREVISTA A Susana de sousa diasAnabela Moutinho continua a odisseia de entrevistas com nomes vitais do cinema moderno.&#38;nbsp;Susana de Sousa Dias&#38;nbsp;partilha aqui a sua “missão ético-política”:
“A primeira vez que entrei no arquivo, há 20 anos, senti mesmo que tinha uma missão, a de mostrar as histórias de resistência que estavam enterradas naqueles arquivos, de fazer aparecer aquelas pessoas”.&#38;nbsp;→ 
Entrevista completa aqui.
	&#60;img width="1250" height="900" width_o="1250" height_o="900" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/d37e02754d16c13637881f1fd86b993f4c3d9f03f12b1dab21db0b64a10dd3c4/susanadesousadiasbyanabelamoutinho.jpg" data-mid="249835864" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/d37e02754d16c13637881f1fd86b993f4c3d9f03f12b1dab21db0b64a10dd3c4/susanadesousadiasbyanabelamoutinho.jpg" /&#62;

Susana de Sousa Dias no IndieLisboa 2026. Fotografia de Anabela Moutinho


	&#60;img style="width:100%" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/ccv-separador.svg"&#62;






	ARQUIVO



Entrevista à artista visual&#38;nbsp;Mariana Sou (edição 184)
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-marianasou.jpg" title="Mariana Sou"&#62;


Entrevista à artista visual&#38;nbsp;Bruna Ferreira (edição 181)
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-brunaferreira.jpg" title="BrunaFerreira"&#62;


Entrevista de Anabela Moutinho ao director de fotografia&#38;nbsp;Ed Lachman
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-edlachman.jpg" title="Ed Lachman"&#62;


Dossier Um Cânone Cinematográfico Hoje?: resultados da convocatória
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-canone.jpg" title="Um Cânone Cinematográfico Hoje?"&#62;


Entrevista à artista visual&#38;nbsp;Ângela Romanito (edição 177)
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-angelaromanito.jpg" title="Ângela Romanito"&#62;


Entrevista à música e artista visual&#38;nbsp;Joana de Sá (edição 176)
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-joanadesa.jpg" title="Joana de Sá"&#62;


Na edição 175 falámos com o ilustrador&#38;nbsp;Mantraste!
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-mantraste.jpg" title="Mantraste"&#62;


Entrevista a Neil Gaiman por Edgar Pêra (para a série Cinecomix!!!)
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-neilgaiman.jpg" title="Neil Gaiman"&#62;


Entrevista a Richard Peña, programador e conferencista
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-richardpena.jpg" title="Richard Peña"&#62;


Viseu, 1985, o primeiro ciclo dedicado a Pier Paolo Pasolini
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-pasolini.jpg" title="Viseu, 1985, o primeiro ciclo Pasolini"&#62;


Dossier Cinema, Pós-Verdade &#38;amp; Bolhas: resultados da convocatória
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-bolhas.jpg" title="Cinema, Pós-Verdade &#38;amp; Bolhas"&#62;


Entrevista a Margarita Ledo, realizadora galega de Nación
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-margaritaledo.jpg" title="Margarita Ledo"&#62;


Na edição 169 falámos com Ana Eliseu!
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-anaeliseu.jpg" title="Ana Eliseu"&#62;


Por Um Punhado de Ókulos: Edgar Pêra e John Carpenter
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-okulos.jpg" title="Por Um Punhado de Ókulos"&#62;


Nada Roucos Anos 20: Entrevistas com realizadores
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-nadaroucos.jpg" title="Nada Roucos Anos 20"&#62;


Dossier Futuros do Cinema: resultados da convocatória
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-futuros.jpg" title="Futuros do Cinema"&#62;


Das Mãos e Outros Olhares: Anabela Moutinho sobre Donzela Guerreira
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-dasmaos.jpg" title="Das Mãos e Outros Olhares"&#62;


A outra dimensão da conversa com Tommi Musturi (edição 167)...
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-tommimusturi.jpg" title="Tommi Musturi"&#62;
 

Na edição 166 falámos com Dartagnan Zavalla!
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-dartagnanzavalla.jpg" title="Dartagnan Zavalla"&#62;



&#38;nbsp;</description>
		
	</item>
		
		
	<item>
		<title>Entrevista a Susana de Sousa Dias</title>
				
		<link>https://www.cineclubeviseu.pt/Entrevista-a-Susana-de-Sousa-Dias</link>

		<pubDate>Mon, 15 Jun 2026 15:27:35 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Cine Clube de Viseu</dc:creator>

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	ARGUMENTO
À conversa comSusana de Sousa Dias
À conversa com Susana de Sousa Dias







por ANABELA MOUTINHO6 de Maio de 2026





	&#60;img width="1666" height="1200" width_o="1666" height_o="1200" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/c00a1daeaa1db670ce37e3347f3077fab44ffed8011911ab72e4afeed89c29d3/susanadesousadiasbyanabelamoutinho.jpg" data-mid="249471444" border="0" data-scale="71" src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/c00a1daeaa1db670ce37e3347f3077fab44ffed8011911ab72e4afeed89c29d3/susanadesousadiasbyanabelamoutinho.jpg" /&#62;Susana de Sousa Dias no IndieLisboa 2026. Fotografia de Anabela Moutinho




	
	



















Em Novembro de 2025 dirigi-me ao IDFA (Festival Internacional de Documentário de Amesterdão) por uma principal razão – Susana de Sousa Dias era sua Convidada de Honra, objecto de uma retrospectiva completa, por ela acompanhada na apresentação e no debate dos filmes, além de um programa paralelo de filmes por si escolhidos para um Top 10 e, ainda, de uma conversa (“"talk"”) com a directora artística do Festival, Isabel Arrate Fernandez.
Tendo podido assistir a esta última e ver em estreia mundial Fordlândia Panacea e aquele que foi propositadamente pensado e realizado para o Festival como uma espécie de explicação dos rumos que a autora seguira após a sua primeira obra, e por isso tomando o título de Pós-Processo Crime, faltava-me uma conversa a duas. Viria a acontecer no IndieLisboa, onde Fordlândia Panacea teve a sua estreia nacional.

	
	
	
	



Susana, isto nem é uma provocação, é mesmo começar com um elogio. Eu sinto-te na linhagem, com muitos pergaminhos, daqueles realizadores  — daqueles cineastas  — que teorizaram sobre o cinema a partir da sua própria prática também (casos como o de Eisenstein ou Pudovkin, ou o Epstein que citas várias vezes nos teus artigos…), pelo que a minha questão é muito concreta, porque é mesmo uma curiosidade: teorizas sobre o cinema que praticas ou é porque praticas cinema que isso te motiva a teorizar? Teorizas, e por isso é que depois levas à prática ou…
É o contrário, exactamente o contrário. Aliás, tentei explicar no filme Pós Processo Crime como é que a teorização se me impôs. Queria, com Natureza Morta, fazer um filme exclusivamente com imagens de arquivo sobre a ditadura. Mas, a determinada altura, percebi que só tinha imagens, na sua grande maioria, produzidas pela própria ditadura: filmes de propaganda, filmes do exército, etc., ou então imagens censuradas ou autocensuradas. Como resolver o paradoxo? Na altura estava a fazer o mestrado em Filosofia e tencionava fazer uma tese sobre vídeo-arte. Mas, como obtive apoio da ARTE para o filme e não conseguiria fazer ambos simultaneamente, decidi mudar de tema e focar-me nas questões que a realização do filme me colocava. Desloquei o meu foco teórico e comecei a ler os autores que me interessavam. 





A teorização surge assim a partir da prática, por força do projecto que tens em mãos.
É muito interessante perceber até que ponto a teoria — neste caso a teoria de outros — nos ajuda a resolver problemas da prática, problemas muito concretos. Não como aplicação de um sistema, nada disso, mas como activação do pensamento que, por sua vez, activa formas de fazer.
E é a partir da prática, do fazer — e eu penso também com as mãos, tenho de ser eu própria a montar os meus filmes — que começa a surgir a nossa própria teorização... Ou seja, é o trabalho concreto que vai originar certas operações, formas de pensar, que por sua vez fazem avançar o próprio trabalho, e que só depois posso nomear. É um processo circular.
Parece-me ser o seguinte caso: como tu mesma reconheces, a partir de Foucault e Derrida que citas na tua tese de Doutoramento, há a possibilidade de haver um contra-sistema, nos arquivos, que permita fazer aparecer o que neles está aprisionado pois, ao serem narrativa oficial, consistem no que não pode ser dito ou não pode ser registado, o que não inviabiliza todavia que neles exista também o que os desmascare ou desvele. É o tal confronto que explicas existir, a partir de Traverso, entre as “memórias fortes”, as que não te interessam, e as “memórias fracas”, que são as que te movem. “Fracas” por, ao não serem as oficiais (as “fortes”), não possuírem a mesma capacidade de impacto. São mais escondidas, ou obliteradas, enquanto memórias pessoais, subjectivas, que podem estar contidas nos testemunhos das pessoas, inclusive naquilo que não foi por vezes expressamente dito. A meu ver, parece-me que são elas que, no plano teórico, o teu cinema gostaria que o fossem, expressas, e que efectivamente o teu cinema, no plano prático, faz com que o sejam, expressas. Os Fordlândia, Malaise e Panacea, demonstraram-no mais uma vez. 
Finalmente as perguntas: dirias que, ao longo da tua obra, a forma de tratar essas “memórias fracas”  — se é que as encaras desta maneira  — nos teus filmes se manteve constante? Se sim, como? Como uma espécie de um farol metodológico na maneira de abordar o filme, ou como uma missão ético-política que te fazem abordar certos habituais temas na tua obra  — autoritarismos, colonialismos, poder?… Ou, pelo contrário, há diferenças no tratamento dessas “memórias fracas” ao longo da tua filmografia e na maneira como elas podem sobressair?

Para já, a missão ético-política é muito importante. A primeira vez que entrei no arquivo, há 20 anos, senti isso de uma forma muito concreta, aliás, senti mesmo que tinha uma missão, a de mostrar as histórias de resistência que estavam enterradas naqueles arquivos, de fazer aparecer aquelas pessoas, prisioneiros e prisioneiras políticas de que ninguém falava na altura.
Em termos de metodologia...Pensa, por exemplo, no Natureza Morta… porque nele também tratas as “memórias fracas”, mas aí são as que estão inscritas nas próprias imagens de arquivo que trabalhas, chamando a atenção do espectador para aspectos, detalhes, pormenores significativos no interior delas, não é?
Sabes, eu li Enzo Traverso e a formulação de “memórias fortes” e “memórias fracas” já depois de ter feito Natureza Morta e 48, pelo que neste caso não foi a teoria que me levou à abordagem prática. Foi exactamente o inverso: quando noções nos chegam e vêm clarificar o que já fazia. E aí há uma espécie de reconhecimento: “Ah, mas é isto que eu faço!” 
No caso de Natureza Morta, essas memórias não aparecem através de testemunhos. Elas estão inscritas nas próprias imagens de arquivo, como dizes, mas de forma não evidente. A questão era perceber como deslocar essas imagens do regime de visibilidade em que tinham sido produzidas, para que nelas pudesse aparecer o que lá estava: aquilo que elas continham, mas não era visível. Muito importante foi também ter ido buscar imagens aparentemente inócuas, anódinas, sem grandes encenações.
Em relação à metodologia: nunca parto de uma metodologia. A realização dos filmes tem uma dimensão conceptual, mas a feitura é muito orgânica também. Cada filme tem um sistema nervoso próprio, é preciso encontrar a "forma justa" para cada um. É por isso que demoro muito tempo durante o processo de realização — e aqui incluo a montagem —, pois cada filme coloca problemas muito diferentes...Então parte da minha questão deixou de ter sentido…
Não propriamente. O que se passa é que há conceitos que vieram dar nome àquilo que eu já praticava. 
Por exemplo, em Fordlândia Panacea, há quem me pergunte porque é que eu não mostro as pessoas que falam. Bem, porque este não é um filme de "personagens". É um filme que parte da circulação da palavra, da circulação das memórias, que são muito mais frágeis, porque, precisamente, não têm registo. É a questão da oralidade, é aquilo que sobrevive sem arquivo instituído. O empreendimento de Ford está inscrito na História e cristalizado nas edificações. É uma "memória forte". Portanto, é muito mais importante ouvir, escutar, acompanhar como uma memória circula, passa de uma pessoa para outra, de uma geração para outra, como sobrevive e se torna presente. Não tanto ver uma pessoa a falar...&#38;nbsp;…até porque a imagem distrai.
Sim. Eu acho que a entrevista tem um grande paradoxo. Por vezes o rosto anula a voz, por vezes, a voz anula o rosto. O rosto produz uma evidência imediata que, em certos contextos, pode fazer com que deixemos de escutar verdadeiramente o que está a ser dito...




	&#60;img style="width:100%;padding:0" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/ccv-separador.svg"&#62;
A filmografia de Susana de Sousa Dias





	&#60;img width="900" height="650" width_o="900" height_o="650" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/2444a7c1e8bafb3d72c5334bf2715541b5e32a3cb054b3dd7e57b23188b66ff6/PosProcessoCrime141.jpg" data-mid="249737747" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/900/i/2444a7c1e8bafb3d72c5334bf2715541b5e32a3cb054b3dd7e57b23188b66ff6/PosProcessoCrime141.jpg" /&#62;
Processo-Crime 141/53
Portugal, 2000, 50’

Isaura e Hortênsia, irmãs, são ambas enfermeiras. Por força de um bizarro decreto salazarista que proíbe as mulheres casadas ou viúvas com filhos de exercerem enfermagem nos hospitais civis, é-lhes vedado o acesso ao casamento. Isaura protesta e é presa. Hortênsia segue o mesmo caminho.

	&#60;img width="900" height="650" width_o="900" height_o="650" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/bd0d9a025ab34f52e8fb81331187e7d462a1653c5294ef216949a8ead759f195/NaturezaMorta.jpg" data-mid="249737749" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/900/i/bd0d9a025ab34f52e8fb81331187e7d462a1653c5294ef216949a8ead759f195/NaturezaMorta.jpg" /&#62;
Natureza Morta
Portugal/França, 2005, 72’

Dentro de uma imagem esconde-se sempre outra imagem. Utilizando apenas materiais de arquivo e sem recorrer a palavras,&#38;nbsp;Natureza Morta redescobre e penetra na opacidade das imagens captadas durante os 48 anos da ditadura portuguesa (actualidades, reportagens de guerra, documentários de propaganda, fotografias de prisioneiros políticos, mas também rushes nunca utilizados nas montagens finais), permitindo a sua reabertura a diferentes leituras.


&#60;img width="900" height="650" width_o="900" height_o="650" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/9d21f37e5de4631f6356d19401cce87fb1d604d067a1b772b89d95353874f5a8/48.jpg" data-mid="249737751" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/900/i/9d21f37e5de4631f6356d19401cce87fb1d604d067a1b772b89d95353874f5a8/48.jpg" /&#62;
48
Portugal, 2009, 93’

O que pode uma fotografia de um rosto revelar sobre um sistema político? O que pode uma imagem tirada há mais de 35 anos dizer sobre a nossa actualidade? Partindo de um núcleo de fotografias de cadastro de prisioneiros políticos da ditadura portuguesa (1926-1974), 48 procura mostrar os mecanismos através dos quais um sistema autoritário se tentou auto-perpetuar.


&#60;img width="900" height="650" width_o="900" height_o="650" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/0a41fc57ea6e886022727ec01746c1202e7390af0536f9f6865f67e1c4585a99/LuzObscura2.jpg" data-mid="249753319" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/900/i/0a41fc57ea6e886022727ec01746c1202e7390af0536f9f6865f67e1c4585a99/LuzObscura2.jpg" /&#62;
Luz Obscura
Portugal, 2017, 76’

Que rede familiar se esconde por detrás de um único preso político? Como dar corpo a quem desapareceu sem nunca ter tido existência histórica? Luz Obscura procura revelar como um sistema autoritário opera na intimidade familiar, fazendo emergir, simultaneamente, zonas de recalcamento actuantes no presente.





	&#60;img width="900" height="650" width_o="900" height_o="650" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/143f1b8606d90993b718f61bd5966395eefb19f641ebde92c83ef02986dd2249/FordlandiaMalaise.jpg" data-mid="249737752" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/900/i/143f1b8606d90993b718f61bd5966395eefb19f641ebde92c83ef02986dd2249/FordlandiaMalaise.jpg" /&#62;
Fordlândia Malaise
Portugal, 2019, 40’

Filme sobre o presente e a memória de Fordlândia, uma “company town” fundada por Henry Ford na floresta amazónica em 1928. Dando voz aos actuais habitantes que, rejeitando o rótulo de cidade-fantasma, reclamam o direito de escrever a sua própria história, Fordlândia Malaise combina imagens de arquivo, filmagens de drone, testemunhos, contos e narrativas, mitos e canções.

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Viagem Ao Sol
Portugal, 2001, 109’ (co-realização com Ansgar Schaefer)

Reflexão sobre crianças em situação de conflito e pós-conflito, e a potência do seu olhar em revelar realidades obliteradas pelas narrativas oficiais. Tendo por base unicamente imagens de arquivo e testemunhos de crianças austríacas enviadas no pós-guerra para Portugal, país neutral durante a 2.ª guerra mundial, o filme estabelece múltiplas ressonâncias com a Europa actual.

	&#60;img width="900" height="650" width_o="900" height_o="650" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/217cd27ec08b0785f7e266490c939be31e64ec289336a6486725a12be1320339/PosProcessoCrime.jpg" data-mid="249737748" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/900/i/217cd27ec08b0785f7e266490c939be31e64ec289336a6486725a12be1320339/PosProcessoCrime.jpg" /&#62;
Pós-Processo Crime
Portugal, 2025, 48’

Em 2000, Processo-Crime 141/53. Agora, um quarto de século depois, a realizadora analisa essa obra e a sua diferença com trabalhos seguintes, reflectindo sobre as noções de documentário, de imagens de arquivo e de história. Como se relacionam entre si? 

	&#60;img width="900" height="650" width_o="900" height_o="650" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/8d50278960504dcc7b3238603f89448f2c5c8e2ed3f488fc482ff45f0a617d33/FordlandiaPanacea.jpg" data-mid="249737750" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/900/i/8d50278960504dcc7b3238603f89448f2c5c8e2ed3f488fc482ff45f0a617d33/FordlandiaPanacea.jpg" /&#62;
Fordlândia Panacea
Portugal, 2025, 66’

Em Fordlândia os fantasmas são forças históricas activas: Ford, capitalismo, extractivismo. Fordlândia Panacea aborda os pontos cegos dessa história, revelando o entrelaçamento entre passado e presente e a tensão entre espectralidade e vida.




	&#60;img style="width:100%;padding:0" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/ccv-separador.svg"&#62;




	
	
Falando agora de processos de montagem, quanto ao 48 afirmaste que a montagem tinha sido feita pelo ouvido.
Sim, exactamente. De ouvido. Tinha as transcrições todas em papel, mas a determinada altura percebi que não valia a pena estar a tentar organizar as ideias a partir delas. Que palavras foram ditas? Como foram ditas? Não estamos no domínio da informação e da clarificação, mas de perceber, de sentir o que nos está a ser transmitido e como. Estamos no domínio da experiência e não do contar uma história linear...Ouvir o que não está a ser dito, ouvir o corpo que não está em movimento, saber escutar os silêncios, o significado das pausas… Um filme “haiku”, como caracterizou [Hartmut] Bitomsky, segundo o que recordaste na ""talk"" em Amsterdão, lembras?
Lembro! Aliás, o que ele disse era que parecia um poema japonês, as palavras com muito espaço à volta para que pudessem ser ouvidas.&#38;nbsp;
Eu posteriormente encontrei a citação num outro local: “alguns traços, poucas palavras, muito silêncio para que as palavras pudessem soar.” Mas depois dizes assim: 16 tipos de silêncio que foram utilizados em 48. O que é que queres dizer com isto? O que são vários tipos de silêncio, ainda mais…16?
Porque foram 16 pessoas a falar (sorri).
O filme é todo conduzido pelo som. Uma questão importante no 48 é que o espaço fílmico, digamos assim, é dado pelo som. A imagem é bidimensional. É portanto o som que cria o espaço, que permite a espacialização. A imagem são fotografias de cadastro, figura e fundo. Nós entramos no filme pelo som, é o som que conduz o filme, não é a imagem. Primeiro entramos num espaço, num plano negro, e escutamos o corpo da pessoa. Sentimos. Só depois é que aparece a imagem. Portanto, nós já estamos instalados nesse espaço, sentimos a presença da pessoa antes de vermos a sua imagem. E como todas as pessoas foram filmadas em espaços diferentes, cada qual com a sua reverberação e sons próprios&#38;nbsp;— por exemplo, nuns espaços passam ambulâncias, noutros passam aviões, noutro há um cão a ladrar, noutros ouve-se pássaros… —, tratava-se de fazer com que esses sons se escutassem, dar atenção para que estes diferentes "silêncios" fossem perceptíveis.&#38;nbsp;Agora nestes últimos filmes, o Malaise e o Panacea, será que, pelo contrário, as palavras é que preenchem os silêncios e dão vida ao que estava obnubilado nesses silêncios?
É uma boa questão. Para mim, os silêncios têm sempre presença, são, num certo sentido, tão importantes quanto as palavras. Aliás, as palavras vão ganhar mais força precisamente porque existe silêncio. Nos meus filmes, o silêncio — que nunca é um silêncio absoluto, muito pelo contrário; aliás, o silêncio no cinema é feito de som — é fundamental.&#38;nbsp;Ainda por cima, voltando ao 48, nós temos a imagem da pessoa que está fotografada num tempo passado e a voz dela mesma a falar na actualidade sobre aquela foto e as suas memórias, mas nos Fordlândia não  — temos imagens, mas são as palavras ouvidas que nos estão a fornecer imensos sentidos em relação àquilo que estamos a ver nessas imagens.
Exacto. Foi isso que eu tentei fazer, obrigada (ri). 
Mas voltando à questão da montagem e dos silêncios. É o tipo de montagem que eu chamo “montagem em haiku”, que faço desde o 48 mas só recentemente é que a formulação do conceito foi encontrada precisamente por causa dessa intervenção do Bitomsky que referiste. Não no sentido métrico, claro. Por exemplo, quando uma pessoa diz alguma coisa, pode depois desviar, complementar, passar para outro assunto, etc., e a frase perde-se no correr do discurso, o que pode implicar que não se lhe preste atenção. Ao isolar as frases, ao ir ao coração do discurso, faço com que o que foi dito seja efectivamente escutado. E para isso tenho de dar-lhe um espaço — “vamos escutar bem”, “foi isto que foi dito” — para não se perder no fluxo de palavras. E daí o silêncio ser igualmente tão importante.&#38;nbsp;Na montagem, ou também no re-enquadramento visual da composição do plano, algo que me chamou particular atenção no teu filme Pós Processo-Crime foi, no seio da explicação sobre os teus métodos de trabalho e de abordares e apresentares o material, teres falado em, e mostrado na imagem, fotos de folhas  — uma espécie de “storyboard” mas de montagem de imagem e sons compiladas numa certa cena ou sequência  — que visualmente me pareceram ilustrar a noção da tal montagem de profundidade que fizeste no Natureza Morta. E em voz-off falaste, a propósito, que respeitaras a “secção de ouro”… entendi bem?
Olha, isso é interessante. Em Natureza Morta, como eu tinha o apoio do ARTE e eles exigiam que tudo estivesse escrito, eu tive que desenvolver o tratamento, as sequências, etc. Tive de explicitar todas as ideias. Também tinha uma espécie de “teaser” do filme a explicitar na prática a minha ideia. E depois, quando me sentei à frente do computador para começar a montar, pensei… “o que é que eu vou fazer agora?”. Não sabia por onde começar. E o meu irmão sugeriu que eu trabalhasse com o “número de ouro” para desbloquear. Não em termos da composição da imagem, mas da duração. Foram esses desenhos que mostrei no filme Pós-Processo Crime. Esta matriz foi-se diluindo à medida que o filme avançava, mas foi ela que me permitiu, de facto, desbloquear o filme e começar a montar. Claro que a partir de um certo momento quase que nos entra no corpo … 
No 48, foi um processo completamente diferente. Há a estrutura horizontal e a estrutura vertical. É esta última que comporta os fundamentos do filme; uma estrutura vertical que ninguém vê, que ninguém sabe que existe — porque é invisível — mas que está lá a alicerçar todo o filme. E é outra das razões que faz com que 48 não consista num álbum de fotografias comentado, mas que seja um filme, para além do espaço sonoro. À medida que ia ouvindo os depoimentos ia percebendo que podia organizá-los por noções: reconhecimento, não-reconhecimento, máscara, identidade, etc. Noções, não temas. Esse é o nível mais fundo da estrutura vertical, um desenho, uma forma geométrica que conjuga essas noções e me permitiu depois trabalhar a estrutura horizontal, aquela que é visível para quem vê o filme. 




	


	
O filme é todo conduzido pelo som. Uma questão importante no 48 é que o espaço fílmico, digamos assim, é dado pelo som. A imagem é bidimensional. É portanto o som que cria o espaço, que permite a espacialização. A imagem são fotografias de cadastro, figura e fundo. Nós entramos no filme pelo som, é o som que conduz o filme, não é a imagem. 



	
	

	
	
	
	








Quanto à tua procura dos tais “sintomas”, conceito proposto por Didi-Huberman, nas imagens de arquivo que trabalhas, ou, se calhar, que procuras em todas elas e não só naquelas que depois seleccionas para o filme, qual a dificuldade (se é que encontraste alguma) quanto a encontrar “sintomas”, entre as pesquisadas e as efectivamente utilizadas, na trilogia Natureza Morta-48-Luz Obscura e agora neste díptico com vontade de vir a ser uma nova trilogia Fordlândia Malaise-Fordlândia Panacea?
O conceito de “sintoma” foi muito importante. Aí está uma circunstância em que é a teoria que nos ajuda a resolver problemas práticos.
Em Natureza Morta estava desesperada sem saber como iria fazer o filme — isto antes da montagem, ainda na fase de concepção —, se só com imagens de arquivo, se teria de usar depoimentos, e foi quando ouvi a música do meu irmão [António de Sousa Dias, “Natureza Morta com Ruídos de Sala, Efeitos Especiais e Claquette”] que me deu “um clique”. A composição é muito física, percorremos espaços, abrem-se e fecham-se portas, temos zonas compósitas de interior e exterior. Decidi partir da noção de exposição para estruturar o filme. O filme assenta em dois princípios: a ausência de palavras e a anacronia. Daí a importância da anacronia. A noção de imagem de Didi-Huberman, as questões que ele levanta em relação à História e ao tempo foram fundamentais.


Ou seja (e tal como tu também esclareces nos teus escritos em que referes esse autor), mais do que “imagem”, o conceito de “visual” definido por Didi-Huberman como o que está para além da objectividade, isto é, o que reside no plano da subjectividade.

É mais do que isso, é a ideia de que a imagem não está inteiramente dada à partida, ela forma-se também no próprio momento em que a vemos. É o "visual por oposição ao visível”. No Pós Processo-Crime, refiro o encontro de Didi-Huberman com a Anunciação de Fra Angelico, em Florença, e a importância da visão da parede branca, do fundo, para além das personagens do fresco. A noção de "sintoma" é usada para pensar a imagem, o sintoma é algo que interrompe o curso da representação. É algo que não se deixa apropriar, algo de novo que surge e introduz uma perturbação no visível. Didi-Huberman parte de uma noção clínica e transforma-a num conceito estético. E isso foi decisivo para mim, porque me permitiu olhar para as imagens de outra maneira. Foi a partir dessa teorização que obtive um quadro conceptual mais claro no processo que estava a desenvolver.Dás alguns exemplos esclarecedores de “sintoma”, como em Natureza Morta as imagens de senhoras negras de olhos postos no chão mas depois há uma que olha a câmara…
Exacto. E de repente é o olhar, é um olhar que desmonta a imagem...Ou no Malaise, imagens consecutivas de dois trabalhadores seringueiros parados como numa foto, mas pouco depois já não, são mostrados em imagem em movimento muito lento, desacelerado, e aqueles seus pestanejares têm um efeito absolutamente brutal porque o olhar passa a ser um olhar diferente e com um significado muito profundo.
É quando introduzo algumas imagens em movimento na montagem, nos interstícios da montagem a partir das fotografias. Pormenores que não são pormenores…Falando no Malaise, que tu própria identificaste como um novo capítulo da tua carreira, representado com a aceleração do movimento das imagens, que é uma verdadeira revolução no seio da tua filmografia  — 746 planos em 6 minutos e meio!  —, por ser o oposto da desaceleração usada na trilogia anterior, sustentaste que essa aceleração foi um “método questionante”.
Porque a partir daí é possível questionar as imagens, questionar aquilo que nos está a ser mostrado e aquilo que está a ser ocultado. Não lhe chamaria novo capítulo, mas que abriu novos horizontes, abriu. Fiz coisas que nunca tinha feito: fui eu que filmei, gravei o som, operei o drone, etc.Mas talvez não só, porque aquela aceleração sincronizada com o hino, em jeito de samba, que é tocado pela banda Filarmónica de Alter do Chão celebrando o Dia da Independência do Brasil, parece simbolizar a revolução dos trabalhadores explorados numa sequência de imagens montadas com efeito “flicker”. Alguém disse que são apresentadas em “loop” mas não, porque introduzes outras imagens que não estavam nas sequências anteriores, e são esses significados que em tais interstícios…
Isso mesmo, uma “montagem intersticial”.…me permitem uma nova questão  — a memória oral (ou seja, os testemunhos que começam a ser escutados) que vai suceder a tal momento de irrupção revolucionária serve para dizer o que a imagem não diz, serve para dizer o que não diz suficientemente ou serve para acrescentar camadas ao que a imagem enquanto de si mesma mostra?
Serve para dizer o que a imagem não diz. A imagem, no fundo, pode ser considerada uma imagem de propaganda sobre o empreendimento fordista&#38;nbsp;— a construção das casas, a limpeza, o hospital, os espaços de lazer… o “white man magic”, como adjectivado em jornal da época, que fez tudo aquilo ser apresentado como um projecto “civilizacional". Portanto, a opção pela aceleração era o que fazia sentido. Não era preciso determo-nos nas imagens de propaganda fordiana pois estas imagens correspondem precisamente ao que ficou conhecido: a narrativa utópica construída em torno de Fordlândia. Mas, não, não foi nada disso, foi desde sempre um projecto extractivista, capitalista, neocolonialista, e que falhou. Qual utópico…E acrescentar camadas, perguntaste. exactamente, também serve para acrescentar camadas à leitura das próprias imagens.


	


	
Não considero, de forma nenhuma, o meu cinema “extractivista”, mas é muito interessante teres referido esse termo, porque há de facto um cinema extractivista: um cinema que vai a lugares que lhe são estranhos, extrai histórias, imagens, testemunhos, e sai. Ora, eu procuro fazer o contrário. Sobretudo porque estou a filmar no Brasil, interessa-me mostrar aquilo que um projecto neocolonialista do Norte global escondeu, e no próprio gesto cinematográfico, uma lógica de extracção. Daí a importância de voltar várias vezes aos mesmos lugares, de não tratar territórios como locais de recolha.



	
	

Quanto a estas últimas obras  — a provável trilogia Fordlândia e ainda a Estação Total (projecto já antigo de documentário situado a 70 km de Angola, segundo explicaste)  —, e em jeito de provocação, será que podemos caracterizar o teu olhar como de uma extractivista… mas de histórias? Um extractivista de histórias que acrescentam sentidos ao processo da colonização?
Vou dividir a resposta em duas partes. Trabalho aspectos que procuram fazer emergir várias dimensões do que foi o colonialismo e, sobretudo, daquilo que não é dito, não é mostrado, não é falado, que é secundarizado, ou até completamente apagado. E isso tem repercussões hoje, molda o mundo em vivemos.
Não considero, de forma nenhuma, o meu cinema “extractivista”, mas é muito interessante teres referido esse termo, porque há de facto um cinema extractivista: um cinema que vai a lugares que lhe são estranhos, extrai histórias, imagens, testemunhos, e sai. Ora, eu procuro fazer o contrário. Sobretudo porque estou a filmar no Brasil, interessa-me mostrar aquilo que um projecto neocolonialista do Norte global escondeu, e no próprio gesto cinematográfico, uma lógica de extracção. Daí a importância de voltar várias vezes aos mesmos lugares, de não tratar territórios como locais de recolha. Por exemplo, em Fordlândia começámos a colaborar com a escola, fizemos uma formação de curta duração, eu e o Ansgar [Schaefer], e é um trabalho que queremos continuar. Vamos voltar lá este ano. 
O mesmo em Angola, onde já fizemos também uma acção de formação e vamos continuar. O que nos levou lá foi tentar perceber no terreno a história que foi apagada, que foi escondida e como esta história continua a ter repercussões no espaço que estou a filmar. E isto é parte da história do presente. E é também uma das bases do racismo sistémico que existe no nosso país e que os portugueses tanto gostam de negar. É uma história de uma violência imensa que não pode ser apagada pelo mito do luso-tropicalismo que continua operante ainda hoje. A questão está sempre no modo como se trabalha.Então necessitamos de um conceito que seria o oposto de “extractivismo”. Seria qual?
Não sei, mas posso pensar nisso, porque tocaste num ponto absolutamente importante…Importantíssimo na tua obra! Porque é mesmo isso, tu não extrais e levas, fazes o movimento inverso. Extrais para ficar? Penetrar? Passar a fazer parte...?
Bem, repara neste exemplo: eu já mostrei o Fordlandia Malaise em muitos sítios diferentes, imensas vezes. E tive uma sessão (no Royal College of Art, em Londres) e dois estudantes ingleses disseram-me que a única forma de filmar na Fordlândia teria sido dar a câmara às pessoas para se filmarem a si próprias, pois eu não tinha o direito de as filmar, e ainda mais por serem minorias. Contudo, esta assumpção de que são minorias, ela própria é um olhar colonial. As pessoas de Fordlândia não são minorias. São minorias para os que estão no norte global e vêem o mundo de cima para baixo. Colam-se rótulos. E, algo muito relevante, criam-se normas. Ora, um trabalho artístico não pode ser normativo. Precisamente, todo o meu trabalho é contra normas.Se calhar o conceito que procurávamos é mesmo esse  — não és uma extractivista de histórias, és uma contra-normativista na forma de as abordar, explorar e contar.
Espero que sim (ri). Numa das vezes em que fui a Angola, estava a filmar o "Servo do Povo", nome de guerra do soba de uma localidade, e nome pelo qual ele se apresenta ainda hoje. Estava precisamente a pensar sobre o acto de filmar, a importância do acto de filmar. Ele disse-me: “Eu dou-vos estas palavras.” Fez um discurso absolutamente extraordinário e concluiu “Levem as palavras”. E eu recebi esta dádiva com a consciência de que tinha de estar à altura dela. Esse é um dos meus grandes problemas e fonte de preocupação: estou à altura, ou não?
E pensei que ofensa seria, eu dar a câmara a este homem e dizer “filme-se”. Porque ele estava a dar-nos alguma coisa e nós é que temos de estar à altura para a receber e para trabalhar dignamente, e com toda a consideração. Ir com uma suposta norma de “eu não posso filmar-vos porque pertencem a uma minoria, tomem lá a câmara e filmem-se” é não perceber nada do que se passa. 
Nós temos de avaliar cada situação. Há momentos em que provavelmente a atitude justa é dar a câmara, mas há outras em que, de forma nenhuma, o é.Última pergunta antes de falarmos do Top 10 que seleccionaste como programa paralelo no IDFA. Não sei se concordarás comigo se disser que porventura aquilo que une todos os teus filmes até à data é mesmo a noção de “futurabilidade” de Berardi  — o tal conceito em que a distopia passa a ser entendida como o futuro provável e a utopia passa a ser entendida como uma real possibilidade, pelo que a futurabilidade, cito-te, “incorpora a potência de um povo lutar contra o seu provável destino”.
Exacto, é isso mesmo. Essa nem preciso de responder (ri)!

	












	O Top 10 de Susana de Sousa Dias para o IDFA (Festival Internacional de Cinema Documental de Amesterdão)
    Por ordem alfabética
    &#60;img width="900" height="650" width_o="900" height_o="650" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/bd0ed890178d48ea0ce4eafbc29031446de665e6fd0a9c24e31ea6c8527381bd/AsArmaseoPovo.jpg" data-mid="249744992" border="0" data-scale="75" src="https://freight.cargo.site/w/900/i/bd0ed890178d48ea0ce4eafbc29031446de665e6fd0a9c24e31ea6c8527381bd/AsArmaseoPovo.jpg" /&#62;
As Armas e o Povo
Colectivo dos Trabalhadores da Actividade Cinematográfica, 1975, 81’

Dal Polo all'Equatore
Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi, 1986, 96’

Imagens do Mundo e Epitáfios da Guerra
Harun Farocki, 1989, 75’

Love Is the Message, the Message Is Death
Arthur Jafa, 2016, 8’

Monangambééé
Sarah Maldoror, 1968, 16’

(nostalgia)
Hollis Frampton, 1971, 36’

R21 AKA Restoring Solidarity
Mohanad Yaqubi, 2022, 71’

Return to al-Ma’in
Forensic Architecture, 2025, 31’

Rio Turbio
Tatiana Mazú González, 2020, 82’

Rosa de Areia
Margarida Cordeiro e António Reis, 1989, 88’



	

Quanto ao Top 10 que escolheste como programa paralelo à tua retrospectiva no IDFA, reconheceste que tinha sido muito difícil escolher só 10 filmes. Pensaste-os em constelações, disseste na "talk". A primeira que referiste foi ter em cima o Images of the World and the Inscription of War, do Harun Farocki e, em baixo, o Return to al-Ma’in, do colectivo Forensic Architecture. Porquê? Por temas em comum como o da arquitectura dos espaços, da reconstrução dos espaços habitados pela memória…? Como diz o historiador Abu Sitta nesse segundo filme, em que ele ajuda a reconstituir em 3D a sua aldeia dizimada, “a única coisa que falta são as pessoas que estavam lá.” Tudo o resto é reconstituível pela memória. E, pergunto, o R 21 aka Restoring Solidarity, do Yaqubi, não se poderia também enquadrar aqui? Possui o enquadramento histórico de ataques genocidários e ao mesmo tempo, falando da Palestina, cruza-se com o Return to al-Ma’in...&#38;nbsp;Outro caso seria o Monangambééé da Sarah Moldoror com, ao nível temático, o vídeo-arte Love Is the Message, the Message Is Death deArthur Jafa, por ambos denunciarem a violência racista contra os negros?... Ou as constelações não foram construídas por via dos temas dos filmes?
Existem diversas hipóteses de constelações, como referiste. Eu pensei o Top como uma selecção de filmes que activam o arquivo de formas diferentes e também abrangem diferentes formas de filmar… Por exemplo, no Monangambééé da Sarah Maldoror, ela usa a ficção como método para filmar o que não era possível filmar, para pensar aquilo que estava a acontecer. Pensei organizá-las em dois eixos: Do céu ao subsolo, foi um deles. O filme do Farocki, Images of the World and the Inscription of War, inicia-se, de certa forma, nos céus, nas imagens aéreas. E pensei então num eixo vertical, que viria até Rio Turbio da Tatiana Mazú. Porquê? Porque aí o movimento é o inverso, vamos para baixo da terra… E é muito interessante nós pensarmos, até ao nível da História do Cinema, nesse movimento. Em que sentido? Porque, durante muito tempo, a primazia foi dada às imagens, ao visível. Mas o som permite-nos gravar aquilo que não se vê, permite-nos, por exemplo, escutar o interior da terra. O filme da Tatiana Mazú é sobre minas, sobre o feminino, sobre as mulheres que também são invisibilizadas. Aqui trata-se de gravar aquilo que normalmente não se ouve, incluindo o som da terra debaixo do solo. Achei muito interessante este caminho dos céus até ao fundo da terra, até àquilo que não se vê e apenas se escuta.

	



	
	
Depois há outro eixo, que vai do filme no espaço da sala à activação pública. É muito interessante o caso de Mohanad Yaqubi. Em R21 aka Restoring Solidarity, ele trabalha a partir de uma série de filmes japoneses de solidariedade com a Palestina nos anos 70. Mas não faz apenas o filme: faz também exposições, mostra os próprios filmes, põe esses materiais novamente em circulação. Ou seja, trata-se de uma activação de um arquivo vivo, que circula entre o filme, a instalação, os ciclos de cinema e os debates.
Tive uma conversa com ele há cerca de ano e meio na qual ele comentou que se sente num momento em que já não pode montar, pois perante uma realidade tão brutal quanto a que estamos a viver, o que há a fazer? Dar as imagens a ver, quase em bruto.
E este gesto, que parece um gesto anti-cinematográfico, é um gesto de cinema de facto, pois quando a realidade é aquilo que é, o que é que há a fazer? Dar, dar as imagens, expô-las, simplesmente, dentro do próprio filme. Mas também pô-las a circular noutros espaços.
E depois há o caso de Forensic Architecture (Return to al-Ma’in), em que as imagens são activadas igualmente no espaço público. Tanto são apresentadas em sala de cinema, em exposições, no site deles, como são apresentadas em contextos jurídicos, enquanto prova, por exemplo, de violações de direitos humanos. Esse eixo interessa-me muito porque faz pensar como a experiência das imagens se multiplica e se transforma quando passa para outros espaços: o espaço expositivo, o espaço judicial, o espaço político, o espaço público.Em termos formais, repito, em termos formais, será possível estabelecer uma relação entre as tuas escolhas de um filme de autores que reconheces como tuas referências, [Yervant] Gianikian e [Angela] Ricci Lucchi e o seu From the Pole to the Equator, e o (nostalgia), do Hollis Frampton?
Sim, em termos formais, reconheço uma afinidade: são filmes que não tratam a imagem como evidência. Pelo contrário, fazem a imagem trabalhar contra a sua aparente transparência. Curiosamente, a minha primeira escolha para essa constelação tinha sido Expeditions One e Expeditions Two, do Black Audio Film Collective, um trabalho colectivo extraordinário que, infelizmente, não foi possível mostrar.Portanto, optaste pelo Frampton. Mas embora seja um filme pequenino, achei-o muito interessante por dois motivos  — o que está a ser dito não é sobre a fotografia, ou as fotografias, que estamos a ver, mas sobre as que vêm a seguir, e o gesto dele a queimar as fotografias implica que elas se tornam um seu resto, mas esse resto é uma nova realidade. Pelo menos visualmente é um muito poderoso motor de reflexão sobre o estatuto das imagens e da sua relação com o som que não as acompanha. Parece-me um projecto ousado e provocante.O resultado tem a ver com essa décalage entre a palavra e a imagem e, sobretudo, com uma outra forma de activar imagens… A propósito, outro filme que esteve na minha lista inicial, antes de a reduzir a 10, foi a curta Les Photos d’Alix, de Jean Eustache, sobre a fotógrafa Alix Roubaud que mostra e comenta um álbum com fotografias suas ao filho do realizador. E a certo momento nós continuamos a ver as imagens mas o discurso não “cola” porque o que ela diz já não corresponde às imagens que estão a ser mostradas no momento em que as vemos. Em ambos os filmes há esse desfasamento entre o que vemos e o que ouvimos. E esse desfasamento cria um intervalo, uma perturbação entre a imagem que vemos, a palavra que a desloca e a memória que já não coincide com nenhuma delas.

	


	
Em parêntesis, gosto muito do filme Jaime. Aliás, fui aluna do António Reis.
Quando, em Orléans, Jaime foi projectado juntamente com Natureza Morta eu, que sempre estive um pouco à margem (até ao reconhecimento internacional do 48) pensei: “Eu faço parte de qualquer coisa. Venho de algum lado, pertenço a algum lado. Afinal, não estou isolada.” E isso foi muito importante para mim. 



	
	
E quanto aos dois filmes portugueses selecionados, As Armas e o Povo e o Rosa de Areia?As Armas e o Povo porque nos mostra um momento muito importante da nossa História, que tem a ver com os filmes que eu faço e também com a minha própria vivência do 25 de Abril e de toda a experiência posterior. Eu estive lá naquele dia. Tinha 12 anos. Estava empoleirada no portão, mas não vi nada do que se passou no comício. Ou seja, vivi aquele momento que foi absolutamente extraordinário, mas só muito mais tarde, através do filme, pude perceber o que se passou no lado oposto de onde estava.
Escolhi-o por estas duas dimensões: por um lado, porque é um filme que mostra a nossa revolução e eu queria partilhar a nossa revolução com o exterior (o público no IDFA) e, por outro lado, porque tem essa potência muito particular do cinema&#38;nbsp;— por vezes vivemos determinadas situações, mas são os filmes que depois nos dão outras possibilidades de contacto com aquilo que ocorreu. E há uma terceira dimensão, aliás. Trata-se de um filme colectivo e urgente que constitui um arquivo em acto. Ou seja, o filme reúne diversas filmagens feitas por diferentes equipas nos momentos da revolução.
Quanto a Rosa de Areia, é um dos filmes que eu mais gosto da Margarida Cordeiro e do António Reis.É o primeiro filme em que ela aparece em primeiro……lugar nos créditos, exactamente. Aliás, eu insisti com a organização que respeitasse o nome dela nos materiais em primeiro lugar, porque infelizmente a Margarida Cordeiro é quase sempre apagada. É um filme que tem partes de que gosto muito. Tem a Constança Capdeville a tocar, tem um trabalho muito forte sobre os textos, interessa-me muito a forma como teatralizam, não para ficcionalizar o real, mas para o interrogar. E, de repente, o lado documental está nas montanhas, está no vento, está nos elementos naturais... A própria matéria é aqui arquivo sensível. Acho muito potente, em Rosa de Areia, esta dimensão telúrica.
Em parêntesis, gosto muito do filme Jaime. Aliás, fui aluna do António Reis.
Quando, em Orléans, Jaime foi projectado juntamente com Natureza Morta eu, que sempre estive um pouco à margem (até ao reconhecimento internacional do 48) pensei: “Eu faço parte de qualquer coisa. Venho de algum lado, pertenço a algum lado. Afinal, não estou isolada.” E isso foi muito importante para mim.Deixei para o último o Rio Turbio pois, quando o vi ao preparar-me para esta conversa, me perguntei  — “será ele uma das afinidades electivas da Susana de Sousa Dias?” Tal como a ideia das cidades geminadas, será que Rio Túrbio é um filme geminado aos teus? Ocorreu-me pelas temáticas, pelo trabalho sobre a imagem e o som, por aquilo que já anteriormente referiste sobre a necessidade da escuta, do pensar através do som, do ir em profundidade, seja em montagem visual seja em montagem temporal… que é que achas?É isso tudo que estás a dizer. Foi mesmo o primeiro filme que eu vi e senti… “Olha!” (ri).Está feito, então?Está feito!
 
 
 









 


	
    
    

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	Anabela MoutinhoSócia do Cineclube de Faro desde 1986, sua dirigente até 2013. Gosta de dizer coisas sobre cinema, escrevendo-as segundo o antigo acordo ortográfico.
	

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	ARQUIVO



À conversa com Susana de Sousa Dias, por Anabela Moutinho
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-susanadesousadias.jpg" title="Susana de Sousa Dias"&#62;


Entrevista à artista visual&#38;nbsp;Mariana Sou (edição 184)
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-marianasou.jpg" title="Mariana Sou"&#62;


Entrevista à artista visual&#38;nbsp;Bruna Ferreira (edição 181)
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-brunaferreira.jpg" title="Bruna Ferreira"&#62;


Entrevista de Anabela Moutinho ao director de fotografia&#38;nbsp;Ed Lachman
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-edlachman.jpg" title="Ed Lachman"&#62;


Dossier Um Cânone Cinematográfico Hoje?: resultados da convocatória
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-canone.jpg" title="Um Cânone Cinematográfico Hoje?"&#62;


Entrevista à artista visual&#38;nbsp;Ângela Romanito (edição 177)
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-angelaromanito.jpg" title="Ângela Romanito"&#62;


Entrevista à música e artista visual&#38;nbsp;Joana de Sá (edição 176)
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-joanadesa.jpg" title="Joana de Sá"&#62;


Na edição 175 falámos com o ilustrador&#38;nbsp;Mantraste!
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-mantraste.jpg" title="Mantraste"&#62;


Entrevista a Neil Gaiman por Edgar Pêra (para a série Cinecomix!!!)
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-neilgaiman.jpg" title="Neil Gaiman"&#62;


Entrevista a Richard Peña, programador e conferencista
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-richardpena.jpg" title="Richard Peña"&#62;


Viseu, 1985, o primeiro ciclo dedicado a Pier Paolo Pasolini
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-pasolini.jpg" title="Viseu, 1985, o primeiro ciclo Pasolini"&#62;


Dossier Cinema, Pós-Verdade &#38;amp; Bolhas: resultados da convocatória
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-bolhas.jpg" title="Cinema, Pós-Verdade &#38;amp; Bolhas"&#62;


Entrevista a Margarita Ledo, realizadora galega de Nación
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-margaritaledo.jpg" title="Margarita Ledo"&#62;


Na edição 169 falámos com Ana Eliseu!
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-anaeliseu.jpg" title="Ana Eliseu"&#62;


Por Um Punhado de Ókulos: Edgar Pêra e John Carpenter
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-okulos.jpg" title="Por Um Punhado de Ókulos"&#62;


Nada Roucos Anos 20: Entrevistas com realizadores
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-nadaroucos.jpg" title="Nada Roucos Anos 20"&#62;


Dossier Futuros do Cinema: resultados da convocatória
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-futuros.jpg" title="Futuros do Cinema"&#62;


Das Mãos e Outros Olhares: Anabela Moutinho sobre Donzela Guerreira
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-dasmaos.jpg" title="Das Mãos e Outros Olhares"&#62;


A outra dimensão da conversa com Tommi Musturi (edição 167)...
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-tommimusturi.jpg" title="Tommi Musturi"&#62;
 

Na edição 166 falámos com Dartagnan Zavalla!
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-dartagnanzavalla.jpg" title="Dartagnan Zavalla"&#62;



&#38;nbsp;</description>
		
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	<item>
		<title>Entrevista a Mariana Sou</title>
				
		<link>https://www.cineclubeviseu.pt/Entrevista-a-Mariana-Sou</link>

		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 12:10:59 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Cine Clube de Viseu</dc:creator>

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	ARGUMENTO
Observatório:
Entrevista a Mariana Sou
Observatório:
Entrevista a Mariana Sou







Entrevista publicada no ARGUMENTO 184Fevereiro 2026





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Mariana Sou (Mariana Neves) é ilustradora, artista de bd e designer, oriunda de Leiria, Portugal. Licenciada em Design de Comunicação pela FBAUP, especializada em Ilustração pela mesma instituição, concluiu o Mestrado em Comunicação Visual pela Konstfack, Estocolmo, Suécia, em 2024, com foco em banda desenhada, através do projeto The Monster In My Closet. Tem participado em diversas feiras de ilustração e exposições, tais como UIVO! 14.ª Mostra de Ilustração da Maia (2024), Degree Exhibition 2024 (Konstfack, 2024, Suécia), Festa de Ilustração de Setúbal, Porto Design Biennale, entre outros. O seu trabalho foi publicado na Revista Cais, 50 Abris (Truz Truz Editora) e QEQTPQE (publicado pela Goteira). Foi finalista da Mostra Nacional de Jovens Criadores na categoria de Ilustração em 2024 e integrou a Longlist dos World Illustration Awards 2025, para além de ter apresentado um artigo científico sobre BD no congresso CONFIA 2025.  Felizmente, vamos publicar mais trabalhos seus por aqui, em 2026.

	
	
	
	



Vamos começar pelo início. A queda para o Yuasa é uma evidência. O que pesa mais nesse gosto: são os filmes, um fascínio com a personalidade do realizador, ou os temas e a imagética da sua arte?
O Masaaki Yuasa é um animador que conheci através de um episódio da série de animação Adventure Time. Essa série tinha a tendência de convidar diferentes realizadores e artistas para dirigir certos episódios com um art style bastante diferente e, na altura, o episódio do Yuasa já tinha uma vibe fantástica… Uma energia vibrante e uma animação fluída muito característica. E fiquei com curiosidade de conhecer melhor os trabalhos dele! Acho que os filmes dele têm uma essência non-sensical e fantástica com uma energia muito específica. Especialmente o filme que ilustrei, nunca pára em termos de ritmo, chega a ser meio alucinante. Talvez a palavra que define melhor os filmes dele seja mesmo essa: alucinantes.
Outra coisa transversal aos filmes dele — e que eu adoro — é que mesmo com histórias mais malucas, ridículas, têm todos uma abordagem relacionada com a conexão entre as pessoas. Prezam os laços que nos unem e a maneira como nos relacionamos com os outros. E essa mensagem, que é trabalhada de uma forma muito honesta, tem um toque muito especial da parte do realizador. 





Que lugar têm os filmes e séries no teu processo criativo?
Tenho descurado um pouco ver filmes… Especialmente os de animação, gosto de dar espaço entre alguns para os saborear e digerir. Mas sinto que sempre vi muitos, em criança os mais mainstream, e mais tarde, no secundário, curtas de animação que circulavam em festivais. E essas sim, foram mesmo centrais no meu processo criativo, para me inspirar com novos temas, novas abordagens, estéticas… Permitiram conhecer novos artistas, especialmente em termos estéticos e de novas maneiras de storytelling. Hoje em dia sinto que vou alternando naquilo em que me foco. Há alturas que vejo mais séries, alturas que vejo mais filmes e alturas que jogo mais jogos. De momento, tenho uma influência maior de jogos indie, mas estou a sentir-me, de novo, sedenta por ver filmes.


Sempre vi muitos filmes, em criança os mais mainstream, e mais tarde, no secundário, curtas de animação que circulavam em festivais. E essas sim, foram mesmo centrais no meu processo criativo, para me inspirar com novos temas, novas abordagens, estéticas…



O teu portefólio é surpreendentemente abrangente, integrando variadas técnicas e formatos — da ilustração, à BD, murais e design gráfico — sem porém, perder a sua coesão gráfica e linguagem pelo caminho. Mas vamos por partes: acompanha-nos pelo teu processo! De onde surgem as ideias e como optas por cada formato e técnica? E de onde vem esta diversidade: de uma vontade maior de fazer tudo, ou de uma necessidade de quebrar a rotina e fazer diferente?

Sempre tive muitos interesses a crescer e cada vez mais, em idade adulta, tenho assumido isso. Estou sempre a descobrir novas coisas que me interessam, desde tópicos de nicho a diferentes hobbies. Por norma, as ideias surgem ou de alguma série ou filme que me faz reflectir sobre uma temática, ou de um livro, um jogo, ou — e esta é mesmo uma fonte de ideias muito grande para mim — deep dives aleatórios da Wikipedia.
O formato e os materiais vêm sempre associados à ideia no sentido de: como é que eu consigo transcrever melhor esta ideia? Qual o formato mais adequado para reforçar a mensagem e os materiais que mais se adequam ao tom do projecto. E também o que eu consigo fazer. Se tiver uma deadline, mais facilmente vou optar por certas técnicas digitais. Se não tiver essa restrição, aí já consigo explorar materiais com mais lazer.
A execução varia mesmo muito de projecto para projecto e, para mim, é essencial que sirva em função da ideia, em vez de estar sempre a forçar uma técnica e formato que traduza todas as ideias que tenho. Mas uma fase do processo que é sempre analógica é a ideação: os esboços que eu faço são sempre a lápis com post-its. Isso gosto mesmo de trabalhar à mão, independentemente de depois passar ou não para o digital.




	


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Ilustração para o livro "50 Abris" (Truz Truz Editora, 2024)


	
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"Traje à Vanessa", trabalho que documenta o processo de elaboração dos trajes tradicionais de Viana de Castelo



	
	

	
	
	
	







Tens um trabalho que se destaca visualmente tanto pelas suas composições invulgares e dinâmicas, como pelas suas perspicazes metáforas visuais. Não só captas a atenção do espectador, como o desafias a reflectir acerca do que está a ver e a pensar sobre a sua mensagem.
A ilustração é uma ferramenta incrível, extremamente influente nos dias de hoje, em que a comunicação se desenvolve principalmente a partir da imagem. Só que, paradoxalmente, vivemos num tempo em que há uma literacia visual cada vez menor: o público em geral não tem consciência do poder comunicativo das imagens, apesar de ser influenciado pelas mesmas. Tem de haver uma maior noção da comunicação consciente que atravessa as imagens — ou seja, da forma como os ilustradores, animadores, designers, trabalham a imagem de forma a transmitir certas mensagens. Cada vez mais temos visto ilustração e banda desenhada com sentido interventivo. Já vem de trás, com o trabalho do Persépolis (2000) da Marjane Satrapi ou o Maus (1986) do Art Spiegelman… Como artistas, acho que mais do que nunca há que ter uma noção do impacto social que o nosso trabalho pode ter: tomar consciência do nosso papel enquanto comunicadores, e do próprio alinhamento político e impacto que podemos ter a longo prazo. Há que perceber que tipo de pessoa queremos ser como ilustradores, que tipo de causas queremos defender, como poderemos contribuir para o mundo com a nossa vida e com o nosso trabalho.
Nós vivemos numa conjuntura capitalista, mas eu quero que o meu trabalho vá além disso e que reflicta as minhas crenças políticas. Eu tenho mesmo dificuldade em fazer só imagens bonitas. Penso sempre em mensagens ou intenções, primeiro. Tenho mais aquela abordagem do design: preciso de um problema que tenha de resolver e que me obrigue a tomar decisões. 


Através da tua arte, captas momentos e contas-nos histórias de realidades muito próximas, com uma grande sensibilidade para falar sobre problemas reais e a forma como eles abalam os nossos mundos exteriores e interiores. Os teus projectos de final de curso, por exemplo — A Leveza de Me Perder (2019) e The Monster in my Closet (2024) — dão uma forma poética às ansiedades, crises identitárias, vícios e outros problemas com que muitos se deparam na transição para a idade adulta. Que tipo de histórias escolhes, quais são as causas a que te queres associar e dar voz?

Quero trabalhar sobre questões de saúde mental, unindo tópicos ou interesses que eu tenho (muitos deles, fruto dos tais deep dives) com ilustração. Pensando no que tenho na gaveta… Neste momento, tenho uma história de banda desenhada em suspenso que está relacionada com saúde mental e que puxa por estéticas da microbiologia de células, músculos e tudo mais, inspirando-se nas ilustrações da vida subaquática do Ernst Haeckel. Tenho-me interessado muito por cruzar estéticas e certos conhecimentos do campo das ciências com reflexões introspectivas sobre a relação entre as pessoas e a auto-percepção. 

 

	












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“NIGHT IS SHORT, WALK ON GIRL”, INSPIRADO NO FILME de Masaaki Yuasa de 2017 [Tinta-da-china (aguadas)
e desenho digital, 2026]. 
Os trabalhos DE MARIANA SOU constituem, em 2026, uma presença permanente nestas páginas



	

Gostarias de partilhar alguns artistas de referência — nacionais ou internacionais — que te tenham inspirado neste caminho?
São vários! Na área da banda desenhada, o Michael DeForge, o Brecht Evans, o Leo Fox, e a editora Peow2 (que tem uma linha editorial única dentro da fantasia e ficção científica).  Quanto a nacionais, as ilustradoras Joana Estrela e a Amanda Baeza. Especialmente a Amanda para mim foi uma revolução em termos de estilos e tipo de histórias e metáforas visuais que se podem incorporar na ilustração/BD. Abriu-me muitas portas acerca de diferentes abordagens. Em termos de jogos, fui buscar muita inspiração estética e conceptual ao Disco Elysium e ao Pathologic. E, claro, Miyazaki! Não estou a exagerar quando digo que a Viagem de Chihiro (2001) e O Castelo Andante (2004) mudaram a trajectória da minha vida. 






	

	
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	ARQUIVO



Entrevista à artista visual&#38;nbsp;Mariana Sou (edição 184)
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-marianasou.jpg" title="Mariana Sou"&#62;


Entrevista à artista visual&#38;nbsp;Bruna Ferreira (edição 181)
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-brunaferreira.jpg" title="Bruna Ferreira"&#62;


Entrevista de Anabela Moutinho ao director de fotografia&#38;nbsp;Ed Lachman
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-edlachman.jpg" title="Ed Lachman"&#62;


Dossier Um Cânone Cinematográfico Hoje?: resultados da convocatória
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-canone.jpg" title="Um Cânone Cinematográfico Hoje?"&#62;


Entrevista à artista visual&#38;nbsp;Ângela Romanito (edição 177)
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-angelaromanito.jpg" title="Ângela Romanito"&#62;


Entrevista à música e artista visual&#38;nbsp;Joana de Sá (edição 176)
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-joanadesa.jpg" title="Joana de Sá"&#62;


Na edição 175 falámos com o ilustrador&#38;nbsp;Mantraste!
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-mantraste.jpg" title="Mantraste"&#62;


Entrevista a Neil Gaiman por Edgar Pêra (para a série Cinecomix!!!)
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-neilgaiman.jpg" title="Neil Gaiman"&#62;


Entrevista a Richard Peña, programador e conferencista
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-richardpena.jpg" title="Richard Peña"&#62;


Viseu, 1985, o primeiro ciclo dedicado a Pier Paolo Pasolini
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-pasolini.jpg" title="Viseu, 1985, o primeiro ciclo Pasolini"&#62;


Dossier Cinema, Pós-Verdade &#38;amp; Bolhas: resultados da convocatória
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-bolhas.jpg" title="Cinema, Pós-Verdade &#38;amp; Bolhas"&#62;


Entrevista a Margarita Ledo, realizadora galega de Nación
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-margaritaledo.jpg" title="Margarita Ledo"&#62;


Na edição 169 falámos com Ana Eliseu!
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-anaeliseu.jpg" title="Ana Eliseu"&#62;


Por Um Punhado de Ókulos: Edgar Pêra e John Carpenter
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-okulos.jpg" title="Por Um Punhado de Ókulos"&#62;


Nada Roucos Anos 20: Entrevistas com realizadores
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-nadaroucos.jpg" title="Nada Roucos Anos 20"&#62;


Dossier Futuros do Cinema: resultados da convocatória
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-futuros.jpg" title="Futuros do Cinema"&#62;


Das Mãos e Outros Olhares: Anabela Moutinho sobre Donzela Guerreira
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-dasmaos.jpg" title="Das Mãos e Outros Olhares"&#62;


A outra dimensão da conversa com Tommi Musturi (edição 167)...
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-tommimusturi.jpg" title="Tommi Musturi"&#62;
 

Na edição 166 falámos com Dartagnan Zavalla!
&#60;img class="arquivo" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/arg-dartagnanzavalla.jpg" title="Dartagnan Zavalla"&#62;



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		<title>Clube de Animação</title>
				
		<link>https://www.cineclubeviseu.pt/Clube-de-Animacao</link>

		<pubDate>Fri, 08 May 2026 12:24:09 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Cine Clube de Viseu</dc:creator>

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OFICINAS
Clube de AnimaçãoCurso Livre de Cinema de Animação

08.05.2026



	


	Novidades em 2025–26! O nosso CLUBE DE ANIMAÇÃO é um curso livre dedicado a todos os interessados no Cinema de Animação. Com oficinas bimestrais em espaços bonitos de Viseu, os participantes poderão ficar a conhecer várias técnicas de animação com exercícios práticos. Podem conhecer os detalhes em baixo. 👇
 Tudo é algoritmos, streaming e lógicas de mercado, mas a solução passa sempre por mais encontro presencial e partilha colectiva de experiências, também cinematográficas. 🙌




Próximas oficinas





	

	



23 MAI • SÁB&#60;img width="1200" height="800" width_o="1200" height_o="800" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/d1ceeabbfbeff3652c5f2ef5a4c465a581460a4ea7739a6c45d73d659978c1c8/CCV26-ClubeAnimao3-Email-2_cut.jpg" data-mid="248030591" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/d1ceeabbfbeff3652c5f2ef5a4c465a581460a4ea7739a6c45d73d659978c1c8/CCV26-ClubeAnimao3-Email-2_cut.jpg" /&#62;
STOP-MOTION COM PESSOAS📍 Quinta da Cruz
Às 10h00, uma sessão para famílias e público em geral (+6 anos) e às 14h30, uma oficina de aprofundamento de técnica (+14 anos). Os participantes irão explorar a Pixilação, uma técnica de Cinema de Animação que usa o próprio corpo, com vários exercícios práticos. Orientação da realizadora Graça Gomes. 📸
🖍 Inscrições: 5eur

•

oficinas@cineclubeviseu.pt


	

13 JUN&#38;nbsp;

 • SÁB




&#60;img width="1200" height="788" width_o="1200" height_o="788" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/b8d1dc76bfb0aaf71adcddec63df2d486eba712a36c42382c35e577fdd96ffcf/CCV26-ClubeAnimacao4-Email-OrdemLogos_site.jpg" data-mid="248127198" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/b8d1dc76bfb0aaf71adcddec63df2d486eba712a36c42382c35e577fdd96ffcf/CCV26-ClubeAnimacao4-Email-OrdemLogos_site.jpg" /&#62;
CONSTRUÇÃO E ANIMAÇÃO DE MARIONETAS📍 Casa da Ribeira
Um workshop intensivo onde os participantes poderão aprender a criar a sua própria marioneta articulada  usando materiais acessíveis como arame e plasticina, e dar vida a uma personagem usando aplicações para telemóvel ou equipamento profissional.  Com orientação pela ceramista, escultura e realizadora Joana Nogueira.
⏰ 10H–12h30 + 14h30–17h30 Maiores de 12 anos🖍 Inscrições: 20 eur (materiais incluídos)&#38;nbsp;• oficinas@cineclubeviseu.pt


&#60;img style="width:100%" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/ccv-separador.svg"&#62;


	

	

Oficinas anteriores


	

	

13 DEZ ‘25&#60;img width="1000" height="599" width_o="1000" height_o="599" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/77b7c11c973edcce05ea860a762662f2355c3598a2ded0a2a2bc13ddf0758e15/CCV25-ClubedeAnimao-EmailTudoJunto_site2.jpg" data-mid="248030671" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/77b7c11c973edcce05ea860a762662f2355c3598a2ded0a2a2bc13ddf0758e15/CCV25-ClubedeAnimao-EmailTudoJunto_site2.jpg" /&#62;


STOP-MOTION DE RECORTES📍 Casa da Ribeira
Duas oficinas para público em geral e mais novos (manhã), e para aprofundamento de técnica (tarde). O desafio é simples: criar uma personagem e animá-la, tirando partido do seu movimento para contar uma história num espaço de segundos! Com a orientação de Graça Gomes e Maria Margarida Pessanha.



	

11 ABR&#60;img width="1200" height="785" width_o="1200" height_o="785" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/db4e95bc3629869363b1bc0c1bb706272bc02fce48a533a30f194ac65a97284b/CCV26-ClubedeAnimacao-EmailCasadaRibeira-LOGOS_cut.jpg" data-mid="248030666" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/db4e95bc3629869363b1bc0c1bb706272bc02fce48a533a30f194ac65a97284b/CCV26-ClubedeAnimacao-EmailCasadaRibeira-LOGOS_cut.jpg" /&#62;
ANIMAÇÃO FRAME A FRAME📍 Casa da Ribeira
Oficina prática de cinema de animação orientada por Graça Gomes e Maria Margarida Pessanha. Os participantes puderam explorar a Animação 2D, realizando vários exercícios de animação frame-a-frame, para criar os seus próprios desenhos animados.






	
	
&#60;img width="2048" height="1536" width_o="2048" height_o="1536" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/9e6488ed5c1e9d87f81a34a4a30f3f5d91385f85679791583f87d8bce4994f59/Sem-ttulo.jpg" data-mid="248031273" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/9e6488ed5c1e9d87f81a34a4a30f3f5d91385f85679791583f87d8bce4994f59/Sem-ttulo.jpg" /&#62;
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&#60;img width="1600" height="1200" width_o="1600" height_o="1200" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/c9afcea4d3a20c345e5df85d5435a6a5658657c169ba30bfc814a23ae241b702/Sem-ttulo3.jpg" data-mid="248031270" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/c9afcea4d3a20c345e5df85d5435a6a5658657c169ba30bfc814a23ae241b702/Sem-ttulo3.jpg" /&#62;
&#60;img width="1600" height="1200" width_o="1600" height_o="1200" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/40222bf42cf15995344232214b886ac63287eb9fb1dc64d9eec3624886213908/Sem-ttulo.jpg" data-mid="248031268" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/40222bf42cf15995344232214b886ac63287eb9fb1dc64d9eec3624886213908/Sem-ttulo.jpg" /&#62;
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		<title>Assinaturas do Argumento</title>
				
		<link>https://www.cineclubeviseu.pt/Assinaturas-do-Argumento</link>

		<pubDate>Fri, 22 May 2020 11:37:33 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Cine Clube de Viseu</dc:creator>

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ARGUMENTO
Assinaturas do Argumento



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		<title>Cinema para as Escolas</title>
				
		<link>https://www.cineclubeviseu.pt/Cinema-para-as-Escolas-1</link>

		<pubDate>Tue, 25 Feb 2025 15:19:33 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Cine Clube de Viseu</dc:creator>

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&#38;nbsp;
	
	
	



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	<item>
		<title>Mediascapes</title>
				
		<link>https://www.cineclubeviseu.pt/Mediascapes</link>

		<pubDate>Mon, 03 Mar 2025 11:33:15 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Cine Clube de Viseu</dc:creator>

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ESCOLAS



	
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	Em parceria com a Escola Secundária Viriato, Viseu, e a associação italiana ArtedelContatto, o Cine Clube promoveu nos anos lectivos 2023-2025 um projeto de Transmedia Storytelling em sala de aula!
O que é o Transmedia Storytelling? Munidos desta interrogação inicial, os alunos das turmas 9ºA e 9ºD puderam participar em várias oficinas de desenvolvimento de narrativas digitais: desde o storytelling, à animação digital, à gravação e edição de som, e por fim a rodagem de cenas de um filme.Um dos resultados destas oficinas foi esta curta-metragem, On the Move, que reúne as cenas animadas e filmadas pelos alunos, e que já pode ser vista&#38;nbsp;no nosso canal YouTube! 🎬▶️
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Cine Clube Viseu ︎ Arte del Contatto ︎ Escola Secundária Viriato ︎ I.C. Emma Castelnuovo


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Projecto co-financiado pela União Europeia



	

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Oficinas realizadas na escola secundária Viriato, Viseu
Descrição detalhada das oficinas aqui.


	Objectivos gerais
︎Experimentar novas formas de ensino e aprendizagem através de processos de aprendizagem não formal;
︎Promover o desenvolvimento das competências essenciais dos alunos: criatividade, pensamento, metacognição e competências digitais;
︎Facilitar a participação ativa, o desenvolvimento e a equidade dos alunos;︎Apoiar professores e educadores na aquisição de ferramentas e práticas de ensino inovadoras.

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Recursos para professores, educadores e interessados

	

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	Publicação Digital
Um handbook detalhado com os principais pontos do projecto Mediascapes, as experiências dos participantes portugueses e italianos, e dicas e sugestões para a aplicação do Transmedia Storytelling na sala de aula.
	

	


	

	
	Entrevistas a especialistas
Uma playlist com várias entrevistas conduzidas com professores e investigadores sobre a sua experiência na utilização de ferramentas Transmedia na sala de aula — entre o uso de meios digitais e a construção de narrativas em colaboração com os alunos.

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Website “On the Move”
No site do filme podem acompanhar, passo a passo, como este foi sendo construído em colaboração com os alunos. Há também uma exploração interativa da história!
	



	
	
&#60;img width="770" height="150" width_o="770" height_o="150" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/9448236906ee6a28d27ae8dd01a28d34759a8ce628e417caad0ef37c9a1418e4/ccv25-whatsapp-balaocurto.png" data-mid="227511986" border="0" data-scale="71" src="https://freight.cargo.site/w/770/i/9448236906ee6a28d27ae8dd01a28d34759a8ce628e417caad0ef37c9a1418e4/ccv25-whatsapp-balaocurto.png" /&#62;



	



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	<item>
		<title>DIGITAteLier</title>
				
		<link>https://www.cineclubeviseu.pt/DIGITAteLier</link>

		<pubDate>Thu, 10 Jul 2025 10:14:26 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Cine Clube de Viseu</dc:creator>

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ESCOLAS



	
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DIGITAteLier 
Bem-estar Digital na Educação de Infância 




	

	
	O DIGITAteLier é um projecto europeu que promove o bem-estar digital das crianças na Educação Pré-Escolar e no 1.º Ciclo do Ensino Básico, reconhecendo que o uso das tecnologias deve contribuir para o desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social, desde os primeiros anos de vida. A iniciativa coloca a comunidade educativa — professores, educadores e famílias — no centro da construção de práticas digitais seguras, criativas e significativas.

O bem-estar na educação digital das crianças é entendido como um sentimento de satisfação física, cognitiva, social e emocional que lhes permite participar com entusiasmo e segurança em ambientes de aprendizagem digital. Significa que as crianças se sentem bem com as experiências que vivem com as tecnologias — que são desafiadas, compreendidas, respeitadas e estimuladas a aprender, imaginar e criar. Quando o bem-estar está presente, o uso de ferramentas e métodos digitais ajuda-as a desenvolver o seu potencial, a expressar-se com liberdade e confiança, e a agir de forma responsável e segura online, promovendo desde cedo a sua autonomia e cidadania digital.&#60;img width="1920" height="229" width_o="1920" height_o="229" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/7f2d901c5bba3d6b5ff391545e7c807109b9d253987d612b62ef77ddee736db5/logosdigitatelier.png" data-mid="235788910" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/7f2d901c5bba3d6b5ff391545e7c807109b9d253987d612b62ef77ddee736db5/logosdigitatelier.png" /&#62;

Centro Zaffiria ︎ La Fabulerie ︎ ArtedelContatto ︎ Arte Urbana Collectif

 ︎ Cine Clube de Viseu




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Projecto co-financiado pela União Europeia, através da medida ERASMUS:
European Policy Experimentation - Digital Education
// Digital Well-being: Putting into practice what works


	

	&#60;img style="width:100%" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/ccv-separador.svg"&#62;




	

Objectivos principais



	&#60;img width="741" height="502" width_o="741" height_o="502" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/ba45a274813297ea01e1d53c4b4cd324ecb6633823af88950e8642a9462182a2/img27_edit.jpg" data-mid="235626890" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/741/i/ba45a274813297ea01e1d53c4b4cd324ecb6633823af88950e8642a9462182a2/img27_edit.jpg" /&#62;

Ilustrações de Jeanne Anton / La Fabulerie

	︎Desenvolver um quadro pedagógico inovador – o Atelier Digital: um modelo inclusivo, escalável e replicável que integra os elementos mais avançados da educação digital para promover o bem-estar das crianças em todas as suas dimensões.︎Fortalecer a capacidade de professores, educadores e famílias: através de formação, co-criação de atividades e experimentação em contexto escolar, pretende-se dotar as comunidades educativas de ferramentas, conhecimentos e confiança para garantir ambientes digitais de aprendizagem ricos e equilibrados.︎Informar e influenciar a política educativa: com base em evidência recolhida durante o projeto, serão desenvolvidas recomendações práticas e estratégicas para apoiar decisores políticos na promoção de abordagens digitais eficazes e inovadoras no ensino de infância em toda a Europa.

O DIGITAteLier procura, assim, unir investigação, prática pedagógica e impacto político para que as crianças aprendam, cresçam e se expressem de forma segura e criativa no mundo digital.



	

Resultados



	
&#60;img width="1200" height="830" width_o="1200" height_o="830" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/a29bdeb4a5271350021cad9f9addededce4b4e1a1e7b54970f6801dcaaf65d64/DIGITAteLier-BrochuraApresentaao.png" data-mid="240712421" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/a29bdeb4a5271350021cad9f9addededce4b4e1a1e7b54970f6801dcaaf65d64/DIGITAteLier-BrochuraApresentaao.png" /&#62;

Brochura de Apresentação



	

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Relatório Comparativo






	
&#60;img width="1200" height="830" width_o="1200" height_o="830" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/0b331cadf24d3805d3fa2dee6ffcce2b04c9d789328be9a04d2f7d85b9dccc09/digitatelier-boaspraticasporpais.png" data-mid="240712331" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/0b331cadf24d3805d3fa2dee6ffcce2b04c9d789328be9a04d2f7d85b9dccc09/digitatelier-boaspraticasporpais.png" /&#62;

Boas Práticas por País






	&#60;img style="width:100%" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/ccv-separador.svg"&#62;


Os parceiros



	

Centro Zaffiria
(Rimini, Itália)


  O Centro Zaffiria, fundado em 1998 em Rimini (Itália), é uma organização sem fins lucrativos dedicada à educação para os media, à cidadania digital e à criatividade. Desenvolve projetos que combinam literacia mediática, tecnologias digitais e metodologias lúdicas, dirigidos a crianças, jovens e educadores, e é uma entidade acreditada para a formação de professores. Produz recursos educativos como aplicações, livros digitais e kits pedagógicos, e gere espaços inovadores como o Centro Nacional Alberto Manzi e o LaVoratorio. Com uma forte presença em projetos Erasmus+, o Zaffiria promove pedagogias centradas na criatividade, na inclusão e na participação como fundamentos da educação contemporânea.

&#60;img width="1568" height="945" width_o="1568" height_o="945" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/b0467fb7d6096209c142bf7cd39a63e26ec62841924aa1b4e98ba54aea87fbf9/digitatelier-linha1-1.jpg" data-mid="235794103" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/b0467fb7d6096209c142bf7cd39a63e26ec62841924aa1b4e98ba54aea87fbf9/digitatelier-linha1-1.jpg" /&#62;



	

La Fabulerie
(Marselha, França)


  A La Fabulerie, sediada em Marselha, é uma organização cultural e educativa que desenvolve experiências lúdicas que cruzam património, narração e criatividade digital, com foco em crianças e educadores. Promove uma abordagem sensível e de baixa tecnologia à aprendizagem digital, centrada na imaginação, co-criação e descoberta prática. Entre os seus projetos destacam-se o Le Fabuleux Musée, Maison (Re)connectée, Vivant.e.s e Unplugged, todos concebidos para facilitar o acesso significativo à cultura e às ferramentas digitais, incentivando práticas educativas inovadoras e inclusivas.

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ArtedelContatto
(Roma, Itália)

  A ArtedelContatto, fundada em 2010 em Roma, é uma organização dedicada à promoção da linguagem cinematográfica e da literacia dos media em contexto educativo. Desenvolve projetos em escolas para alunos desde os primeiros anos, através de festivais e oficinas práticas nas áreas de audiovisual, fotografia, podcasting, animação, escrita e análise de filmes, promovendo inclusão, criatividade e participação ativa. Tem como missão formar jovens espectadores críticos e conscientes, destacando-se projetos como SguardiAttivi (cinema e temas sociais), Mediascapes (Transmedia Storytelling na educação) e Cinema Inclusivo (criação audiovisual com enfoque na cooperação e inclusão).


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Arte Urbana Collectif
(Sofia, Bulgária)

  A Association Arte Urbana Collectif, sediada em Sófia, Bulgária, promove eventos culturais e educativos que incluem festivais, projecções comentadas, workshops, masterclasses, produções teatrais, residências criativas e fóruns dedicados à educação artística. A sua missão é revitalizar o diálogo cultural a nível local, nacional e internacional, apostando no envolvimento de públicos jovens e menos acessíveis e na criação de pontes entre arte, cultura e educação. Com uma forte componente de formação de professores, os seus projectos procuram ampliar o acesso à cultura em zonas suburbanas e rurais, estimular o pensamento crítico e reforçar a relação dos alunos com o seu meio através de práticas artísticas — em especial, o cinema — enquanto ferramenta educativa e social transformadora.


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Cine Clube de Viseu
(Viseu, Portugal)

  Fundado em 1955, o Cine Clube de Viseu (CCV) é uma organização cultural dedicada à divulgação, programação e educação cinematográfica. Com sede em Viseu, desenvolve uma atividade contínua que inclui sessões de cinema com curadoria, a organização do festival de curtas-metragens VISTACURTA e a publicação da revista ARGUMENTO, dedicada aos estudos criticos de cinema e à cinefilia.Desde 1999, desenvolve o programa educativo Cinema para as Escolas, que envolve crianças e jovens em sessões de cinema, oficinas criativas e experiências práticas com animação e brinquedos ópticos, promovendo a literacia visual e a consciência digital desde a infância. Através de acções de formação, produção de filmes com estudantes e programas de capacitação para professores, o CCV aposta numa educação para os media que estimula o pensamento crítico, a criatividade e a participação activa no mundo digital.


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Fases do projecto

	

	
	 
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Fase 1 InvestigaçãoA fase de investigação do projeto tem como principal objetivo mapear e analisar políticas, estudos científicos e práticas existentes relacionadas com a educação digital e o bem-estar na primeira infância e no ensino básico, tanto nos países dos parceiros como noutros contextos europeus.
 


  
  Este trabalho assenta em documentos estruturantes da União Europeia, como as Council Conclusions on Well-being in Digital Education (2022) e o Well-being in Digital Education Study (2023), garantindo o alinhamento com as prioridades atuais da UE e com uma abordagem baseada em evidência.
A investigação combina três dimensões: análise de políticas nacionais e europeias, revisão de literatura científica e identificação de boas práticas locais, especialmente aquelas desenvolvidas no âmbito de Ateliers Digitais dos parceiros. O foco recai sobre três áreas-chave: acesso e inclusão digitais; literacia mediática e resiliência à desinformação; e bem-estar cognitivo, emocional e social das crianças. Será dada especial atenção ao grupo etário dos 3 aos 6 anos e ao ecossistema escolar mais amplo, incluindo professores, educadores e famílias.
Este relatório servirá como base sólida para as fases seguintes do projeto, centrada na modelação e experimentação de soluções pedagógicas replicáveis.




	


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Fase 2 Modelação
Desenvolvimento de um modelo coerente e flexível para promover o bem-estar digital na educação das crianças no pré-escolar e 1º ciclo. O modelo baseia-se na estrutura do Atelier Digital, que enfatiza a criatividade, a colaboração e o bem-estar geral das crianças em ambientes de aprendizagem digital.



  
  O modelo integra recomendações a nível da UE e melhores práticas reconhecidas, juntamente com abordagens inovadoras e testadas no terreno desenvolvidas e implementadas pelos parceiros do projeto. 

É projetado para ser adaptável, podendo ajustar-se a diferentes contextos educativos e necessidades locais; ser escalável e, uma vez validado, pode ser ampliado e implementado em larga escala, servindo como referência para outras escolas, redes educativas ou políticas públicas. Estas qualidades tornam o modelo adequado para promover o bem-estar digital infantil de forma inclusiva e sustentável.





	
	

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Fase 3  Experimentação
Esta fase centra-se na conceção e pilotagem de módulos padronizados do Atelier Digital, testados em diversos contextos escolares de quatro países parceiros. O objetivo é avaliar de que forma estes módulos contribuem para o bem-estar digital, com enfoque em quatro dimensões fundamentais: cognitiva, emocional, social e física.



  
  A experimentação articula uma abordagem de cima para baixo, orientada por diretrizes políticas desenvolvidas em fases anteriores, com uma abordagem de baixo para cima, ancorada na inovação pedagógica. Professores e educadores assumem um papel central, através de processos de investigação-ação, envolvendo-se ativamente com os alunos na co-criação de experiências de aprendizagem. Esta dupla perspetiva garante simultaneamente o alinhamento estratégico e a relevância prática no contexto da sala de aula.





	




	


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Fase 4  Transferência e DisseminaçãoA fase final centra-se em assegurar a adoção mais ampla e com impacto a longo prazo do projeto através de uma estratégia dupla. Por um lado, os esforços de advocacia visam envolver as autoridades públicas, apoiando a adoção de políticas e permitindo a escala a nível institucional e nacional. Por outro lado, uma forte ênfase é colocada no desenvolvimento de capacidades, capacitando professores, famílias e educadores a tornarem-se multiplicadores activos dentro das suas comunidades.



  
  A fase final do projeto foca-se em garantir a sua adoção alargada e sustentável a longo prazo. Por um lado, as ações de advocacia procuram envolver as autoridades públicas, promovendo a integração do projeto em políticas educativas e permitindo a sua expansão a nível institucional e nacional. Por outro lado, coloca-se uma forte ênfase na capacitação de professores, educadores e famílias, tornando-os agentes multiplicadores ativos nas suas comunidades.
Esta fase também procura ampliar o âmbito do ecossistema escolar, envolvendo actores-chave da comunidade, tais como bibliotecas, museus, centros educativos e serviços sociais, promovendo uma abordagem mais integrada do bem-estar que vai para além da educação formal.






	
	




&#60;img style="width:100%" src="https://miguelrcardoso.com/ccv-images/ccv-separador.svg"&#62;


Projecto financiado pela União Europeia. Os pontos de vista e as opiniões expressas são as do(s) autor(es) e não refletem necessariamente a posição da União Europeia ou da Agência de Execução Europeia da Educação e da Cultura (EACEA). Nem a União Europeia nem a EACEA podem ser tidos como responsáveis por essas opiniões.


	



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